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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Para se entender a polarização dos votos...

Repasso este texto do Blog de Marcelo Fantaccini Brito. Um estudo de caso excelente na tentativa de se entender o voto do brasileiro.



Padrão de distribuição geográfica do voto: o Brasil virou EUA e os EUA viraram Brasil

Em uma eleição realizada em países de dimensões continentais, com território heterogêneo em termos de economia, sociedade e cultura, como seriam os resultados por região? Existiria a tendência das partes mais ricas de um país optarem por candidatos progressistas e as partes mais pobres optarem por candidatos conservadores? Ou a tendência seria a oposta?

Observando dois países gigantes, como o Brasil e os Estados Unidos, é possível dizer que a polarização política regional não segue um padrão imutável no tempo. Há tendências que podem ser invertidas.

No Brasil, o voto nos estados mais pobres foi mais conservador do que nos estados mais ricos por um longo período, que durou de 1945 a 2000. UDN, Arena e PFL tinham mais força nos estados das regiões Norte e no Nordeste, enquanto que PTB, MDB e PT tinham mais força nos estados das regiões Sul e no Sudeste. Em 2002, não houve polarização regional. Lula ganhou de lavada em todas as regiões do Brasil. Nas eleições municipais de 2004, teve início a tendência do PT e do PSB serem partidos mais fortes no Norte e no Nordeste. Esta tendência foi acentuada na eleição presidencial de 2006. Uma tendência, porém, persistiu: São Paulo como um estado que pende para a direita e o Rio de Janeiro como um estado que pende para a esquerda.

Nos Estados Unidos, o voto nos estados mais ricos foi mais conservador do início do século XX até o final dos anos 70. O Partido Republicano tinha muita força em estados ricos, como Maine, New Hampshire, Connecticuit e Vermont no Nordeste, e a Califórnia no Oeste. O Partido Democrata tinha muita força em estados mais pobres, como os do Sul. Os candidatos locais eleitos pelos sulistas não eram nem um pouco esquerdistas, pois o Partido Democrata era o preferido dos segregacionistas.

Mas os sulistas, com exceção de 1964, 1968 e 1972, votavam nos candidatos presidenciais democratas, como Roosevelt, Truman, Kennedy e Carter, assim como eleitores progressistas do Norte. Nos anos 80, não foi possível enxergar polarização geográfica do voto porque os republicanos levaram as eleições presidenciais de lavada. A partir de 1992, o mapa eleitoral dos EUA começou a ser redesenhado. O Nordeste, invertendo a situação anterior, tornou-se uma fortaleza democrata, enquanto que o Sul, também invertendo a situação anterior, tornou-se uma fortaleza republicana. Apesar de algumas inversões, algumas tendências persistiram. Nova York, Massachussets e o DC sempre foram e continuaram sendo democratas, e o Oeste interiorano sempre foi e continou sendo republicano.

Em resumo, o padrão de distribuição geográfica do voto no Brasil em tempos presentes é o mesmo que o dos EUA em tempos passados e vice-versa.
Os mapas a seguir, com os resultados das eleições presidenciais brasileiras de 1989 e 2006, e os resultados das eleições presidenciais norte-americanas de 1976 e 2008, mostram bem as tendências descritas.

Vencedor da eleição presidencial no Brasil de 1989 por estado

















Vencedor da eleição presidencial no Brasil de 2006 por estado

















Vencedor da eleição presidencial nos EUA de 1976 por estado












Vencedor da eleição presidencial nos EUA de 2008 por estado












Fonte [das imagens]: Wikipedia





É possível ver nos mapas grandes inversões nos dois países. Vejamos o Brasil primeiro. Os únicos estados que preferiram Lula em 1989 e Alckmin em 2006 foram Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que são dois dos estados brasileiros com maior qualidade de vida. Já a Região Norte, foi inteira de Collor em 1989 e quase inteira de Lula em 2006.
Nos Estados Unidos, também houve mudanças marcantes. Muitos estados vermelhos viraram azuis e muitos estados azuis viraram vermelhos. Em 1976, Jimmy Carter levou o Sul (o da Confederação) quase inteiro, só faltou a Virgínia. Grande parte do Nordeste optou por Gerald Ford. Em 2008, Obama perdeu em quase todo o Sul. Ganhou apenas, justamente na Virgínia, e também na Carolina do Norte e na Flórida. O Nordeste foi todo para Obama. Dois estados enormes, como o Texas e a Califórnia, inverteram os lados.
Qual seria a explicação mais plausível para esta instabilidade de polarização política por regiões em grandes países? Podem ser os temas de campanha.

Quando o que divide os eleitores são temas econômicos, como o tamanho do Estado, o total de gastos em programas sociais e o papel do Estado em redistribuir renda, a poliarização por classe social costuma ser mais acentuada. Os ricos tendem para a direita e os pobres tendem para a esquerda. Como nos estados mais ricos há mais pessoas ricas e nos estados mais pobres há mais pessoas pobres, a polarização de classes se transforma em polarização regional, e portanto, o voto em regiões ricas pende para a direita e o voto em regiões pobres tende para a esquerda.

Quando temas culturais como religião, homossexualidade, aborto, educação e criminalidade tornam-se importantes para a definição do voto, a polarização de classe é suavizada. Candidatos com visões progressistas sobre estes temas tendem a atrair o voto de parcela da população mais letrada da classe média alta. Candidatos com visões conservadoras sobre estes temas têm penetração em parcela importante da classe média baixa e da população pobre das áreas rurais. Estados mais ricos, com cidades maiores, população mais urbana e maior influência de universidades tendem a serem mais progressistas do que estados mais pobres, com grande parcela de população vivendo em zona rural ou em cidades pequenas. Apesar disso, a polarização de classe neste caso não é completamente eliminada. Os candidatos esquerdistas são os preferidos dos mais pobres que vivem em estados mais ricos.

E o que esta análise serve para prever o futuro político no Brasil?

Muito provavelmente, a polarização regional da eleição presidencial de 2010 será a mesma que aconteceu na de 2006. Serra será preferido no Sul, em São Paulo e talvez no Centro-Oeste, e Dilma será preferida no restante no Brasil. Pelo que as pesquisas atuais indicam, porém, a polarização será mais suavizada. Nos próximos anos, com a população do Brasil cada vez menos pobre, e com cada vez mais gente entrando na classe média, temas culturais podem ter importância crescente, em detrimento de temas econômicos. Neste caso, o mapa eleitoral no Brasil pode ser novamente redesenhado, e não sabemos como será o novo desenho.

link para matéria direto do Blog: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/padrao-de-distribuicao

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lula, Irã e as previsões de "especialistas".

Em novembro de 2009 Lula recebeu o presidente iraniano Ahmadinejad no Brasil.

José Serra, o "economista", escreveu na época um artigo na Folha de São Paulo criticando a visita.
Valeu de tudo. Serra chamou Ahmadinejad de "símbolo da negação", o comparou com Stalin e prosseguiu com sua defesa de que não deveriamos receber visita de tal presidente...Serra se utilizou do argumento de que Ahmadinejad não é democrático para criticar a politica externa de Lula...
...Lula não deve falar com ditadores e mal caráters? Fazemos política ou clube de amigos?

Aliados às ideias de Serra alguns "jornalistas" também criticaram o governo brasileiro....
Vale a pena ver o que os pupilos da revistinha veja, Diogo Mainard e Reinaldo Azevedo falaram...

segue uma do Mainardi:

"Em 16 de maio, o bispo Lula emulará o presidente Romualdo e dará o passo mais ruinoso de sua carreira. Ele procurará Mahmoud Ahmadinejad em sua cadeia iraniana e negociará com ele "olho no olho", prometendo ajudá-lo a escapar da polícia dos Estados Unidos e da Europa."
Link para a matéria completa

Bem...acho que o acordo não foi "o mais ruinoso".
Já diz tudo o título da matéria no site da BBC. "O Irã assina acordo nuclear proposto por Brasil e Turquia."


Mais uma vez apostamos em colunas com esses "jornalistas" se retificando e parabenizando a ação diplomática de nosso governo? Problematizando o assunto e procurando entender o que esse acordo significa?

Aposto, novamente, em notícias brandas e burras...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

As peripécias de um governo que tenta agradar a gregos e troianos...

O Lula lançou no Dezembro último o PNDH, Programa Nacional de Direitos Humanos.
Pois bem. O PNDH é um projeto que inclui propostas diversas abrangendo temas referentes à saúde, propriedade privada, aborto, questões sociais, etc.

Alguns setores "chiaram" tanto, que nove pontos do programa foram alterados por Lula, atendendo à pedidos da igreja, dos militares e dos ruralistas. Representados respectivamente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pelo ministro da Defesa Nelson Jobim e pelos "coronéis" da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), gente que tem muita grana e, geralmente, pouca compaixão...



O Lula atendeu aos pedidos, e parece que tenta entrar pra história como alguém mais solidário do que um político com posição sólida.


Alguns dos pontos modificados foram:

Não usemos no PNDH a expressão “repressão ditatorial”;

Não vamos alterar o nome de ruas, praças e prédios públicos que levam o nome de torturadores do perído da ditadura brasileira de 1964 a 1985;

Não haverá participação de invasores de terra nos processos de reintegração de posse.


Traduzindo...

Evitemos escancarar os crimes praticados durante a ditadura.
Continuemos a promover a memória de torturadores, e julgando integrantes de movimentos pela reforma agrária de forma a não haver defesa da parte deles.


O Boris Casoy e seus seguidores irracionais esbravejaram bastante com esse PNHD, dizendo que no texto havia restrições à liberdade de informação da imprensa e tudo mais.



A CNA e Ministério da Defesa restringiram a possibilidade de um debate referente a ditadura e podaram mais ainda os direitos de defesa do MST e outros grupos de luta pela terra como um direito de todos.

Boris e seus amigos vão esbravejar quanto a isso? Aposto em notícias brandas...

...e o Lula? bem...ta tentando não pisar em calos...mais uma vez.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"...obrigado Lula, essa é a 'esquerda' que queremos dentro da américa latina"

Nosso presidente conseguiu fazer uma política que atraiu olhares no mundo todo, e como temos visto, agradou grande parte dos chefes de Estado das maiores potências. Fato simbolizado com o presidente Obama, que chamou o Lula de "o cara". Todo mundo viu isso, mas ta aí o link: http://www.youtube.com/watch?v=XwseO4eJn3w

Para melhorar a situação histórica do presidente, essa semana saiu na Time um ranking com os líderes mais influentes do mundo, com Lula no topo da lista, ééé...isso mesmo, no TOPO da lista. A matéria está em inglês, no site da Time (uma revista que como bem argumentou o palpiteiro em seu blog, pode ser chamada de tudo, menos de petista). O nosso antigo presidente, aquele que sabe falar inglês como a tucanada gosta de lembrar, deveria traduzir o texto pra gente divulgar a notícia.


Venezuela, Cuba, Argentina e Uruguai criaram em 2005 um canal de TV multiestatal, a Telesur, arrumando briga com grandes grupos de comunicação, provocando a ira dos EUA, que inclusive tentaram boicotar as transmissões do canal (vale a pena ler a matéria sobre isso).
Aqui no Brasil o cenário tá um tanto diferente. A gente continua vendo a Globo, as vezes a record, a band, SBT e a TV Cultura se ela sintonizar bem na tua região e vc tiver saco pra esperar algo realmente bom naquela programação maluca...Os seis maiores grupos de TV (Globo, SBT, Band, Record, EBC e Redetv) ainda dominam 90% do total de emissoras do país, e alguns "expoentes" do jornalismo brasileiro (boris casoy, miriam leitão) insistem em dizer que estamos passando por um processo de censura midiática apoiado pelo governo federal. Faltou lembrá-los que as concessões de mídia no Brasil são dadas pelo governo federal, e como sabemos, Lula deixou as coisas como estão. 90% e pronto.
Sofremos censura midiática ou falta de acesso aos meios de comunicação?


A Telesur é UMA, das DUAS, emissoras públicas que existe na Venezuela. Os outros 46 são particulares, fora os outros tantos de sintonia por assinatura. É só ter dinheiro e se divertir assistindo à programas feitos em sua maior parte nos EUA e Europa.

A abertura desse canal (Telesur) em 2005 não recebeu tanto destaque como as notícias da Cicarelli e suas peripécias marítimas com o parceiro na Espanha, ou em caso mais recente, o episódio da pobre Isabela, a que foi jogada da janela e gerou uma comoção nacional difícil de explicar num país que mata suas crianças de dor de barriga sem que as pessoas se dêem conta.

Barriga pode, janela é pecado.


Destaque mesmo pela mídia brasileira recebeu a RCTV, uma emissora com clara posição anti chavista que foi fechada mais de uma vez por motivos vários e que devemos sim procurar entender os porquês e poréns.
A Globo usou até a jogada de mostrar os trabalhadores da RCTV chorando por perder o emprego e tudo.
Foi tão noticiado isso que a confusão gerada fez com que hoje as pessoas lembrem menos da RCTV do que o fato de Chavez ser um "ditador".


Fato é que, querendo enchergar ou não, estamos passando por um processo de 'tentativa' de integração entre vários governos na América Latina. A Telesur é só mais um braço disso. Ainda tem a Unasur (União de Nações Sul-Americanas ), a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da América), e o Sucre, que é uma tentativa para a criação de uma moeda local que faça frente ao dólar nas transações entre os países que compõe a ALBA (Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Equador, e os pequenos, Antigua e Barbuda, São Vicente e Granadinas).


O governo federal está vendo tudo isso, de longe, utilizando da arte do joão-sem-braço. Pouco opina, não entra no meio, mas também não fala mal. O recado do Brasil é claro: "quer se integrar, se integre. Eu é que não vou arrumar briga com os yankes".

A mídia faz a parte dela, omite.

Os EUA mandam outro recado: "nem vem com essa de integração, vocês tão fazendo é ditadura"...

...e sobra um recado direto de Washington para o brasil:
"obrigado Lula, o Brasil é a 'esquerda' que queremos dentro da américa latina. 90% e pronto.