quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A migalha transformada em pão.

As "reportagens" da Globo estão sendo usadas até para fazer propaganda pró Serra.
O vídeo abaixo termina com um trecho da campanha de Serra, após uma "perícia grátis" da Globo analisando a agressão sofrida pelo candidato.



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Manipulando informações e mentes.

Pra quem acreditava que somente na ditadura militar é que a Globo manipulava informações a ponto de noticiar um protesto contra a ditadura no 23 de Maio como uma "festa de trabalhadores"....







Os vídeos foram postados no youtube pelo ótimo Azenha que não deixou essa escapar aos seus olhos.
Post original:

http://www.viomundo.com.br/politica/duas-visoes-de-um-mesmo-fato.html

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Realmente. Ríns, fígado e coração, tem sim preço.

A crença que temos na ciência e na capacidade da medicina, é a de que esses conhecimentos possam nos trazer benefícios, ou que tenham esse objetivo como principal.

A cura para a Aids, para o câncer, para as gripes suínas que só matam a quem nós não conhecemos, e várias outras doenças, é o que esperamos da "ciência" para que consiga desvendar, e procurar formas de beneficiar a nós, demasiado humanos.
Queremos de fato, a cura, e apostamos nos homens de branco que sentam à mesa de seus consultórios nos hospitais públicos e particulares todos os dias. Acreditamos também naqueles que estudam em seus laboratórios, produzindo novas fórmulas e meios de curar os males que nos assolam.


A divulgação de casos sobre "falsos médicos" é algo que tem se tornado corriqueiro. Ano a ano acompanhamos manchetes de médicos de várias áreas que atendem sem diploma, ganhando dinheiro em cima da boa fé do cidadão comum. A última está nos jornais:


"Falso médico já estaria atuando como obstetra e ginecologista em 2008"



Mais do que a sensação de ter sido enganado, esse caso leva a um constragimento moral enorme a quem já foi atendido por esse maluco.
Uma mãe leva a filha pré-adolescente a um ginecologista, com a intenção de que a mesma faça perguntas, entenda seu corpo, saiba identificar problemas. No entanto, é atendida por alguém que talvez não conheça o significado de uma genitália.
O cara está no 9° semestre de medicina por uma universidade particular em Nova Iguaçu, e já estava fazendo partos. Possívelmente ele acredita que não há diferença entre um médico formado, e uma parteira daquelas que antigamente faziam trabalho de parto nas residências.


Ingenuidade é pensar que essas picaretagens provém apenas de alguns particulares mal intensionados. A indústria farmacêutica age de forma corporativizada fazendo muitas vezes mais mal que esses indivíduos incosequêntes. Escrevi sobre isso a pouco tempo:

"Rins, fígado, e coração. Tem preço?"

"A transformação da saúde em um comércio perverso"


E no devir de praticar denúncias sobre esses escândalos da saúde, segue mais uma:

É o caso de uma farmacêutica que produzia artigos de propaganda através de falsos artigos científicos.

O esquema se baseia colocar um artigo sobre tal medicamento, assinado por um cientista, numa grande revista científica.
No artigo, suprime-se os efeitos colaterais do remédio, ressaltando o bem que ele possa fazer. Dessa forma, o artigo tem aspecto científico, mas na verdade é propaganda.

O esquema é da farmacêutica Wyeth, hoje incorporada à Pfizer.

Um dos remédios que ela propagandeou dessa forma é o Prempro, usado para reposição hormonal em mulheres na menopausa.
O medicamento gerou uma ação pública, onde 14 mil pessoas nos EUA acusam-no de aumentar o risco de câncer de mama.

Ríns, fígado, coração, mama, genitália. Tudo isso tem preço. E seus valores entram no bolso dos que ganham dinheiro em cima da boa fé de nós, que compramos remédios procurando a cura, e não um novo câncer.

A matéria completa sobre o esquema da empresa está aqui:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-propaganda-disfarcada-de-artigo-cientifico

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A lei que a mídia escolhe informar.

Estamos acompanhando às informações sobre a nova lei de uso obrigatório de cadeirinhas infantis de segurança nos automóveis particulares.
A lei se resume basicamente à obrigatoriedade do uso de cadeirinhas nos automóveis conforme a idade da criança. Uma cadeirinha para crianças com até 1 ano de idade, outra para aquelas com até 4 anos, e mais uma para as de 4 a 7 anos e meio de idade.

As lojas já começaram a venda dos equipamentos. Na Americanas a mais barata custa 89 reias. Os mais exigentes podem comprar uma pela bagatela de R$ 1.099.

Afora as questões óbvias de segurança, cabe a desconfiança da verdadeira necessidade do equipamento.


É concensual que as crianças de até 3 anos precisam de cadeirinha para estar seguras no automóvel. Uma criança de três anos normalmente não mede um metro, o cinto de segurança fica frouxo na pequena cintura. Porém, ao chegar aos 5 anos a criança já tem corpo o suficiente para ser protegida pelo cinto.
Óbviamente deve haver uma explicação técnica totalmente razoável para provar que, com uma cadeirinha determinada, a criança estaria mais protegida, porém, é realmente necessário a obrigatoriedade?

Faça um filho hoje, e até os sete anos da criança terá um estoque de 3 cadeirinhas coloridas. Se tiver o azar de trigêmeos poderá ter uma revenda delas....

Uma criança de 6 anos fica realmente desprotegida usando o cinto comum?

Essa lei serve à segurança ou ao lobby de algum empresáriado?

Tem me gerado dúvidas o assunto. Cabe a pesquisa.


Ao mesmo tempo em que as propagandas de tv, rádio e as notícias dos telejornais insistem em "conscientizar" sobre a nova lei, um projeto de lei sobre um novo "código florestal" tramita na Câmara dos Deputados.

O projeto foi escrito e está sendo defendido pelo Deputado Estadual pelo PC do B, Aldo Rebelo, e consiste basicamente em retirar algumas áreas de proteção ambiental da lei que hoje as protege. Ou seja. Áreas que hoje são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs), como topos de morros, serras, montes e montanhas, serão suprimidas, não necessitando mais serem preservadas.
O projeto ainda propõem a redução da faixa mínima de conservação das matas ciliares, fazendo com que a área preservada passe de 30 (atual lei) para 15 metros de distância dos rios.

Suprime-se da preservação algumas configurações geográficas e reduz as faixas de mata ciliar....Tenho procurado entender quem em plena sanidade exclúi da proteção ambiental uma "serra". Há um complexo de serras abrangendo do sudeste/sul até o Brasil central. A intenção é encher isso tudo de soja?


O triste é ver que estão todos super informados sobre as cadeirinhas, mas pouca gente sabe explicar o que é o novo código florestal, ou o que verdadeiramente significa a lei "ficha limpa".
As grandes empresas de informação escolhem um fato e o noticiam até cansar. Alguns desses fatos eles fazem questão que as pessoas absorvam, fazendo reportagens especiais, simulações gráficas e produções quase cinematográficas como no "caso bruno". Já as infomações que podem provocar mobilização social....

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Nega Música - Itamar Assunção

Conversava com um amigo ontem.

O cabra reclamava de não ter o que colocar em sua biografia para um concurso de poesia. Disse que entrou em depressão ao se deparar com a tarefa.

Muleque doido, sensível. Poeta de coração. Um bom amigo....Sua vida, seus feitos, sua "carreira", danem-se.

A depressão é só um estágio de preparação para o surto de alegria que está por vir. Quem vive sempre alegre ignora o mundo. Uma escolha fácil....
...quem se mostra sempre alegre,...maestro,...Atrai boas vibrações. É querido onde chega.

Estou em 'depressão' agora....Dificuldade danada em abrir a Folha de São Paulo ao meu lado para achar uma catastrofe, uma matéria tendenciosa, ou acordo político a ser comentado aqui no blog.

Um conforto: o email da namorada....cabeluda linda que amo incodicionalmente. Seu nome: Verônica... A mais linda.

Um segundo conforto. Ouvir isso aqui mais de 15 vezes seguidas:




Um terceiro conforto: Chegar no pátio da faculdade e ver três muleques doidos do primeiro ano da Geografia tirando esse som com uma maestria genial.


Taí a letra. Itamar Assunção. Puta negão inteligente. Conheci ontem, e boto fé que será minha trilha sonora por dias, meses, tempos, etcéteras.

Nega Música
Itamar Assumpção


Quando você menos espera ela chega
Fazendo do teu coração
O que bem ela fizer
Nem venha querendo você se espantar
Não, não, não, não, não
Nem venha querendo você se espantar
Não, não, não, não, não
Quando você menos espera ela toca
O fundo do teu coração
Assim como uma mulher
Nem venha querendo você se espantar
Não, não, não, não, não

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O "jeitinho" japonês.

Nessa onda de escrever sobre a malandragem. Vai aqui um post pra vermos que não é só o brasileiro que tem o seu "jeitinho":


O Japão é conhecido entre outras coisas, por por sua economia, seus trens super lotados, videogames e uma população que gosta de passar dos cem anos.

A expectativa de vida no país passa dos 80. Porém, algo começou a intrigar as autoridades:

Onde estão nossos velhinhos?

Essa dúvida surgiu depois que o governo japonês encontrou restos mumificados de um ancião que, caso vivo, teria 111 anos. Sendo o mais velho de Tóquio.

A família do velhinho mumificou seus restos de acordo com o ritual japonês, e, por 30 anos, escondeu sua morte. Conseguindo assim continuar recebendo valores de aposentadoria e outros benefícios.

O governo saiu à caça dos velhinhos, e constatou que centenas deles estão "desaparecidos".


Na caçada, outro caso:

Um cidadão escondia os restos da mãe numa mala desde 2001, continuando a receber sua aposentadoria e a ajuda financeira que o Japão dá aos centenários.


Quem foi que disse que malandragem é coisa nossa?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Profissão malandro.

Hoje cedo, entrertido em notícias várias sobre a situação mundial no site da BBC Brasil, lia coisas sobre o PIB Chinês engolindo o Japonês, e as expectativas da China passar de terceira para segunda economia mundial, atrás somente dos EUA.

Outra matéria sobre o presidente sul-coreano e seu sonho de uma unificação com a Coréia do Norte, ao mesmo tempo em que planeja "ensaios militares" com 50 mil soldados norte americanos e 36 mil sul-coreanos...

Algo sobre a África e a mudança da bandeira do Malauí...Enchentes no Paquistão.... Apedrejamentos no Afeganistão por adultério...Queda de avião na Colômbia, e outras desgraças possíveis...


Nessa miscelânia toda de notícias depressivas, algo de engraçado, e que combina com o post anterior sobre a ironia...



Um ser, muito mais que irônico. Pilantra mesmo....comia em restaurantes caros e fingia ter convulsões logo que fechava a conta.
Obviamente era levado ao hospital mais próximo, medicado e liberado. Livrando-se da necessidade de pagar o que comeu....As más línguas arriscaram dizer que o cabra mais bebia que comia.


O cara praticou o golpe em dezenas de restaurantes nos EUA.


E seu histórico:

"preso mais de 80 vezes, [...] 40 condenações por outros crimes, [...] e ficha criminal de 133 páginas.



Malandragem pouca é bobagem.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Se intensifica a propaganda pró-Serra na rádio Bandeirantes.

A Rádio Bandeirantes, aquela que tem a vinheta clássica: "Brasil, o país dos impostos", começou abrir espaço para o diálogo sobre os problemas da saúde.

Quem assistiu o debate entre os 'presidenciáveis', viu que José Serra tem planos para que, nos hospitais, não tenhamos mais tantas filas de espera, e demora nas consultas.

O vampirão do mal falou, e fala tanto de saúde, que o Plíno do PSOL chamou o careca de Hipocondriaco (aquele que se preocupa insanamente com a possível presença de qualquer doença).

Pois bem.

Na Rádio Bandeirantes hoje de manhã, qual era a enquete para os ouvintes?

"Quanto tempo já ficou numa fila de atendimento hospitalar?"


O problema da saúde no Brasil é caso sério. Passar horas na fila do hospital ainda é um luxo de quem mora nas cidades.
Um passeio no interior da caatinga ou pelas entranças do interior paulista é suficiente pra ver que há pessoas no Brasil que não tem nem rede de hospitais em raios de quilômetros, onde fazer uma consulta significa uma verdadeira viagem.

A Bandeirantes está mesmo preucupada com a saúde, ou está ajudando na campanha?

Fica aí a pergunta pra uma rádio que odeia pagar impostos, mas nunca tocou no assunto de concentração de mídia de rádio e tv no Brasil.

O Datena e o pênis.

Seriadade não é mesmo o forte do senhor Datena.

O mestre do sensacionalismo está agora fazendo um programa na rádio Bandeirantes.

Ontem, por volta de meia noite e meia, o apresentador fazia uma entrevista interativa com um médico, ao tempo que ouvintes faziam perguntas diversas por email.

O Datena, num surto de criatividade, pergunta ao médico, "em nome dos adolescentes", a questão do tamanho do pênis.

Nas palavara do apresentador, muitos jovens tem essa dúvida e não tem coragem de perguntar.

O médico, por sua vez, comentou: "Realmente Datena, essa questão do tamanho do pênis é um grande problema"

E quando o doutor continuava a fala, o Datena interrompe em gargalhadas: "Grande problema não! Pequeno! hahaha"

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Quantos matamos caro Watson?

Os Estados Unidos estão numa briga pouco casual com o Iraque.

No meio de toda a euforia da retirada de parte das tropas americanas do país, os representantes dos governos de Washington e Bagdá discutem se em Julho deste ano morreram 222 ou 535 pessoas em ataques no país. (?)



Ora, é mesmo digno as indagações deste nível? A quem interessa esse tipo de discussão?


O infeliz ex-presidente W. Bush invadiu o Iraque anunciando que o país tinha armas químicas de destruição em massa super high techs plus plus, e que seu dirigente, o finado Saddam, era um ditador malígno que merecia a forca.

Pois bem. Apertaram o pescoço do bigodudo num lugar escuro que dá medo - os vídeos estão na internet -, e permaneceram com as tropas americanas no país, com direito até a inserir as iraquianas de 12 anos num novo ramo de trabalho: a prostituição dedicada aos soldados jovens e sedentos por sexo.

Não precisa comentar que não acharam arma alguma. A opinião do ex-inspetor de armas da ONU é clara: Ex-inspetor de armas da Onu diz que guerra do Iraque ‘foi ilegal’


Desde 2003 o Iraque está sob ocupação militar. E depois de todas as atrocidades cometidas à um povo que já a muito não sabia o significado de paz, uma questão diplomática que ganha polêmica é:

Matamos 222 ou 535 mês passado?





Obs: A notícia de "mortos em ataque" é ambígua.
Fica difícil saber se os mortos sofreram de ataque cardíaco, ataque de stress ou ataques a bomba. No entanto, indiferente ao tipo de ataque, a cólera social de uma população totalmente lesada em sua soberania gera cidadãos suicídas a partir de um motivo comum: uma invasão cruel, e injustificada.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O malandro e o "empresário".

Num post anterior, falando sobre polícia e ladrão, me propús a dar meus pitacos sobre os motivos para existir esse senso comum de que "o Brasil é assim ou assado devido a falta de segurança policial".



Depois do post, extremamente indignado, tenho tentado colocar no papel minhas idéias sobre essa idiotice.


Num país que gasta menos de 1,5% de seu PIB com educação, falar de falta de polícia é risível, se não fosse trágico.

O pior, como disse, é ouvir uma idiotice dessa de alguém da periferia, que vê todos os dias a truculência policial na suas ruas, revistando grosseiramente meninos de 12 anos que jogam bola tomando geladinho com a grana que angariaram plantando flores nas covas do cemitério Girassóis na periferia de osasco.



Chico Buarque, outro bohemio que admiro, brinca com essa idéia de forma bem deescontraída em sua canção, "O Malandro".


Na letra, acompanhamos uma história que começa com um malandro qualquer sentando à mesa de um estabelecimento comercial enquanto toma sua cachaça.

Servido e satisfeito, o cara toma a birita num gole e, sem pagar, parte na corrida.

O garçom fica no prejuízo, e consequentenmente aplica um calote em seu patrão, o Português.

O patrão passa o prejuízo pro distribuidor, que o passa para a empresa de frete, que passam pro alambique, que por sua vez dão calote no usineiro, que passa o prejú pro Banco do Brasil, até que enfim todo o prejuízo cai nas mãos do Português que congela a mesada do pobre garçom.

....E o graçom, no prajuízo, vê o malandro na rua, e sai gritando: "pega ladrão".

O ladrão é autuado, e levado para prisão.

....justiça seja feita!


Numa organização quase que institucionalizada de calotes e trambiques, o 'ladrão' é o malandro da rua, da ponte.

Há anos vemos esquemas de corrupção das loterias, do bingo, dos cigarros, dos frigoríficos, dos carros clones, etc. E o preso, quem é?

Numa empreitada para apreender drogas, muitas vezes o único preso é o caminhoneiro (?)...

Precisamos de polícia, ou de que a legislação seja realmente aplicada para todos sem discriminação social?

Precisamos prender mais batedores de carteira, e continuar deixando os colarinhos brancos livres para assaltar o país através de seus notebooks? Bem acomodados nos bairros nobres, sonegando impostos e transando mercadorias ilícitas através de despachos por email, 'pagando' de empresários sérios?


Quem é, definitivamente, o ladrão?



Tá aí a letra e vídeo da música, boíssima por sinal.





O MALANDRO

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom

O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Delegados em busca da fama.

Já trocaram o nome do Bruno do Flamengo por "Monstro".
Uma investigação conduzida a cerca de um mês ou mais, sem provas concretas, porém, já motivo de dramatizaçoes mil pela imprensa. Só mais um motivo para grande audiência...


Cicareli já fora traçada em mares espanhóis, a menina Isabela ja caiu da janela, o Brasil perdeu a Copa... Tudo passado...O que resta? O caso do Monstro.



Como bem argumentou o Moraes em seu blog, "opalpiteiro":

"Negar humanidade a um criminoso é um jeito interessante de nos livrarmos do risco de nos colocarmos em seu lugar. Rotulamos o individuo como monstro e nos acalmamos com a certeza de que jamais faríamos o que ele fez."



Não estou fazendo defesa do jogador. Tenho até me divertido com certo trocadilhos que tem maldosamente adentrado nossas caixas de email...."O Flamengo até que é um bom
time, o que mata é o goleiro."



Ocorre é que não há provas definitivas sobre o caso.
A investigação tem sido tensa. Os depoimentos, conflitantes.
Bruno culpa macarrão, Macarrão culpa Bruno, e o espaguete não sai do fogo...



Num caso tão complicado, a imprensa e os delegados do caso ja escolheram um culpado: "o goleiro"


Os de boa memória, ou afoitos por pesquisas, verão que nao é de hoje que a imprensa brasileira retrata um caso a partir de uma opinião formada.



Em 2000, o jornalista José cleves foi acusado de ter matado sua mulher.
O caso foi que ele, José Cleves, acompanhado da esposa, fora assaltado, e na ação, teve sua mulher morta.
Uma arma plantada no local do crime levou os policiais a acreditarem que o crime tivera sido planejado pelo proprio Cleves.
O delegado responsável 'vasou' o caso para a imprensa, e o crime teve destaque no Fantástico e tudo. Numa versão com direito a simulaçao de sete minutos, mostrando
como o monstro josé havia matado sua esposa.



Caso é que o jornalista demorou oito anos para provar sua inocência. Afirmando hoje que foi vítima de uma armação policial.
O cabra trabalhava fazendo denúncias sobre comércio ilegal de armas, máfias dos caça-níqueis e de policiais corruptos em MG ....precisa dizer mais?

O Fantástico não deu os mesmos sete minutos de resposta ao injustiçado. O caso "esfriou", e a resposta de José nao traria a mesma audiência que teve sua acusação.



Jason Tércio diz em seu livro - A espada e a balança - que "o assassino mata sua vítima, e o tédio da populaçao."
É uma pena que a mídia insista em fazer parte desse jogo. Ao invés de informar, diverte. Entretenimento no lugar de investigaçao jornalistica crítica. Esse é o peixe da Globo, da Folha, e dos menores que as imitam.



O caso "a Escola Base" é outro que ilustra muito bem o espírito de porco da mídia.
Um suposto caso de estupro, onde 6 pessoas, entre pais de alunos, 2 funcionarios e 2 donos de uma escola foram julgados por abuso de algumas crianças.
O delegado do caso, na ânsia de fama, 'vasa' o caso para a imprensa.
Resultado: os acusados tiveram suas casas depredadas e os donos da escola tiveram a mesma saqueada pela populaçao indignada... Intrigante relação entre indignação e saque, mas isso é outra história....

Final do caso? ... Arquivamento por falta de provas... Nada provado, e num caso ocorrido em 1994, até hoje tramitam processos por danos morais dos injustiçadamente
acusados. Os donos da escola receberam indenização de 100 salários mínimos, mas o advogado continua no caso que tramita processos contra a Globo, o SBT, a Folha, a
Veja. Órgãos que espalharam manchetes como: "Escola de horrores" (Veja)


O que a grande mídia aprendeu com o caso?
Nada além de: "Crime é = a audiência. Dane-se as provas, o que importa é o 'fato'"



E agora, para brindar mais um caso complicado. A notícia do afastamento das delegadas "responsáveis" do caso Bruno, o monstro.

As bonitonas vazaram um vídeo - que não prova nada - no qual o goleiro joga a culpa no amigo Macarrão.
A Globo divulgou o vídeo, é claro.

E pelo menos dessa vez, uma açao rápida: Afastamento das bonitas do caso.
Deveriam ser afastadas do cargo, mas o Brasil chega lá.



Agora a polêmica:

Receberam um bom dinheiro da Globo pelo vídeo ou não?



Mas essa fofoca a Globo não vai polemizar.


Para quem quiser ver o vídeo:

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/07/stj-nega-pedido-de-habeas-corpus-bruno-mulher-dele-e-macarrao.html

sexta-feira, 16 de julho de 2010

As amizades e a alimentação etílica.

Há frases e momentos com amigos nossos que, definitivamente, nunca iremos esquecer.


Me lembro que a pouco tempo, num dia comum de bebedeira e filosofias na casa do amigo Chicó, o mesmo, inspirado, em uma conversa sobre os prazeres da bebida, grandiosamente nos contempla com a seguinte definição sobre o Dreher:


"O conhaque é o cavaleiro da esperança"


Frase de Chicó. Amigo daqueles que conhecem a fundo os prazeres da ressaca. Bêbado criativo, amante de Bukowski, como deveria o ser....Sempre tratou a cerveja como um alimento, talvez sem saber que Noel Rosa assim já a considerava nos idos do século XX.

O desenhista Nássara, amigo de Noel Rosa, compositor magnífico, encontrou certa vez o amigo Noel de manhã, em um bar, tomando uma aguardente Steinhaeger acompanhado de uma cervejinha.

Nássara, preocupado com Noel que já estava com tuberculose à época, tenta advertir o amigo sobre o perigo.

Eis que Noel, em resposta, passa a descrever ao amigo as qualidades nutritivas da cevada, chegando a dizer que uma cerveja era quase equivalente a um prato de comida.

Nássara então questiona: "Mas Noel...e o Steinhaeger?

Afiado, o poeta justificou: "Não dá pra comer sem uma coisinha pra acompanhar..."




Essa histórinha do Noel está nas páginas finais da Revista de História da Biblioteca Nacional deste mês.... As de Chicó ainda estão sendo escritas por aí, nos bares.

.......e que a vida lhe dê a oportunidade de muitas outras páginas, e doses.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A paranóia e o pré-julgamento.

Normalmente agimos ou tomamos atitudes de acordo com a nossas experiências com a vida, e com as pessoas.


Ja ouvi falar que todo mundo tem um amigo "Boça", mas não sei se todos tem a oportunidade de ter um amigo paranóico. Daqueles que cancelam todas suas contas de e-mail desconfiando estar sendo perseguido pelo FBI.

Na condição de ter um amigo que você julga paranóico, para não criar conflitos, você aprende a ouvi-lo, e, consequentemente, respeitá-lo. Porém, o que achamos que é respeito toma na verdade uma forma infeliz de desprezo.

Me explico....Você passa a ouvir as histórias da pessoa sem definitivamente dar a devida atenção, pré-julgando os fatos, assumindo que toda informação que possa vir do "paranóico" seja mesmo uma paranóia, uma viajem.


Acontece que a gente cai do cavalo....


Numa conversa informal com este amigo, o mesmo levantou a hipótese de que estavam a inserir craque na maconha para viciar os usuários da erva danada.....Eu fui o primeiro a negar a hipótese, tratando a mesma como mais uma paranóia, ou teoria da conspiração.

Na verdade, queria mesmo que fosse, o craque é droga maldita, daquelas que até viciado aprende a não oferecer.
Mas a gente cai do cavalo; e hoje, no Jornal do Brasil, a notícia:

"Traficantes adicionam crack à maconha para viciar mais gente"

Para quem quiser ler a matéria, recomendo.
É uma das poucas que não são carregadas daquele esteriótipo ridículo do viciado favelado e do tratamento do vício no senso comum...



e...Amigo, desculpe.., mesmo.



quarta-feira, 14 de julho de 2010

Rins, fígado, e coração. Tem preço?

A pouco tempo escrevi um post sobre o remédio sibutramina. No post só reforcei uma denúncia já conhecida por bastante gente, mas que merece ser divulgada... Qual seja. A venda de remédios que comprovadamente fazem mal à saúde, e no entanto permanecem sendo vendidos, muitas vezes proibidos na Europa e Estados Unidos, mas muito bem comercializados nos ditos países de terceiro mundo.

Pois bem, nova bomba sobre o assunto.
Saiu na Folha reportagem sobre a SmithKline Beecham, empresa farmacêutica que deixou em segredo desde 1999 um estudo que constatava que seu produto para diabéticos, o Avandia, provocava sérios riscos cardíacos, sendo mais perigoso inclusive que o remédio da concorrente, o Actos, da farmacêutica Takeda.

A causa para esconder os estudos foi justa. A empresa descobriu que perderia cerca de 600 milhões de dólares em apenas dois anos divulgando as pesquisas....Seu coração vale 600 milhões de dólares? O meu não valeria uma paçoca.

Acontece que dessa vez a empresa será investigada por comissão nos próprios EUA, uma vez que a farmacêutica se arriscou a continuar vendendo o produto por lá.

Tentarei acompanhar o caso apostando que se o medicamento for proibido nos EUA, ainda continuaremos a conseguir pedi-lo pelo link da farmácia do povo por um bom tempo aqui no Brasil:

http://www.ultrafarma.com.br/ch/detalhes.aspx?pc=3679

sábado, 10 de julho de 2010

Ladrão pode matar polícia. Polícia não pode matar ladrão.

Passando na rua. Ouço o comentário:

"Ladrão pode matar polícia. Polícia não pode matar ladrão. Por isso está assim o Brasil."

Origem do comentário: um cidadão pobre, morador da favela, conversando com um dono de bar.

Resposta dos meninos racionais para este tipo de pensamento: "tiazinha trabalha 30 ano e anda a pé, as vezes caguéta de revolta né" (esse "caguéta" se refere bem a isso, ter ódio de bandido sendo morador da favela.)

Pergunta de um garoto, de 21 anos, conhecido como D2 na faculdade:

"Quem foi que colocou na nossa cabeça que só favelado tem vizinho bandido?"



O D2 tomou um enquadro certa vez. Estava acompanhado de amigos da classe média. Era o único morador de periferia num grupo de 12 pessoas.
Foi o último a ser abordado, e ao informar ao policial onde morava, recebeu a resposta, em forma de ataque:

"Mas nesse lugar só mora bandido, bixo!"

Origem do comentário: Policial, mulato, classe baixa....Mais um que aprendeu que bandido só tem na favela.

Mas o D2 novamente pergunta. Quem ensinou isso a eles?
Porém o D2 tem uma meta, mostrar que eles aprenderam errado. Só que isso fica pros próximos posts.

Prazer, D2.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Nestlé ja entendeu que bolsa-família vira bolacha recheada, enlatado e papinha pra criançada.

A Nestlé, associada à Caixa Econômica Federal abriu um "mercado flutuante na Amazônia.
O negócio consiste num barco que levará cerca de 300 diferentes produtos da marca Nestlé pelo rio Pará, atendendo 18 cidades do estado paraense na intenção de vender os produtos às populações ribeirinhas que antes não tinham acesso as maravilhas da marca.



Coloque 50 reais mensais nas mãos de um brasileiro que ganhe cerca de 500 por mês para viver. Agora pense.... Ele faz uma poupança ou gasta a grana no mercado?... A resposta é óbvia, fome não é brincadeira. E se de mercado este brasileiro estiver numa boa, ele compra uma 21 polegadas pra ver a Copa num telão.

A Nestlé, apostando no mercado, decidiu investir nos comedores de peixe do Pará.
A jogada é simples, o barco fica parado um dia em cada cidade vendendo papinha pra criança, matinais, sorvetes, ração para cachorro e etc.
A consequência é fatídica.
A criança acostumada a comer peixe com farinha de mandioca, verá o coleguinha comendo uma bolacha passatempo (sou viciado nela), e óbviamente chorará pra que sua mãe lhe dê uma.

O mais engraçado é que enquanto lia esta notícia sobre o tal mercado marítimo, me lembrei de uma que havia lido a pouco tempo atrás, com o título de "A pressão da vida moderna" no site da Fapesp.
Nela o médico e antropólogo Hilton Pereira da Silva diz sobre as altas taxas de hipertensão arterial na população de três comunidades rurais do Pará que gradativamente deixaram o extrativismo e começaram a usar bens de consumo tipicamente urbanos.
O pesquisador acompanha desde 1996 a população no Pará e identificou que a taxa de hipertensão na região é hoje equivalente à verificada nos moradores de cidades de médio para grande porte.

Agora a bomba. E não sou eu quem diz. É o pesquisador:

"Quando ocorre a transição para o estilo de vida moderno e urbano, a primeira mudança é a dieta". Aumenta o consumo de sal, de enlatados e de comida industrializada, cheia de aditivos químicos. [...] As mudanças na dieta e nos hábitos de vida estão causando uma mudança gradual na fisiologia do organismo que leva à hipertensão.

Bingo!

A Nestlé entendeu o recado, e como uma boa empresa solidária, continuará a levar a hipertensão ao estado paraense, atendendo regiões que nem água encanada tem, mas tem televisões ligadas em baterias de carro, onde a Nestlé pode usar e abusar das propagandas que fazem a criançada ter água na boca e esquecer de vez da peixada.

O mais irônico disso tudo é a profundidade do comentário no site do estadão na materia sobre o mercado...o internauta desatento palpitou:

"Lindo maravilhoso... Só falta agora a Nestlé nos brindar aqui no Brasil, com mesma qualidade de produto, que ela pratica no exterior.
KCT, tou cansado com alimento com gosto de parafina."

E viva a pressão arterial!!


A matéria completa da Fapesp está no site: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=2108&bd=1&pg=1&lg=


E a do estadão saudando o novo mercado, aqui: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,nestle-monta-mercado-flutuante-na-amazonia,23690,0.htm

terça-feira, 29 de junho de 2010

Um poquiiinhoooo assim de sacanagem na indústria do futebol.

João Havelange assumiu a presidência da FIFA (Federação Internacional de Futebol) em 1974.

A primeira Copa do Mundo transmitida ao mundo pela televisão foi a Copa de 1970, no México.

Os visionários e gananciosos viram que uma Compa "globalizada" poderia significar dinheiro fazendo um esquema simples: Eu (fifa) faço o campeonato e ganho grana em direitos de transmissão.

Foi o que Havelange fez.

Gerou um império se associando à Adidas e à Coca-Cola. Império este que consiguiu proezas como fazer uma Copa no país que inventou a cerveja, a Alemanha, onde a FIFA permitiu apenas a venda de cerveja americana Budweiser nos estádios....Vocês inventaram a cerveja? Tudo bem. Toma em casa. No estádio só americana.

E pra completar a história toda, dois raciocíneos maravilhosos de alguns internautas ligados:


"Curioso é quando comparamos os confrontos das quartas de final pelas marcas das camisas das seleções:

Brasil e Holanda - Nike x Nike

Uruguai e Gana - Puma x Puma

Argentina e Alemanha - Adidas x Adidas

Paraguai e Espanha - Adidas x Adidas

As seleções perdem, mas as marcas sempre ganham...

E a Adidas mais uma vez estará na final da Copa, como esteve em 74, 78, 82, 86, 90, 98, 2002 e 2006..." (Alessandro)


"Ronaldinho não foi convocado para a seleção brasileira. Cannavaro, Drogba e Ribery foram eliminados na primeira fase. Nas oitavas de final, foi a vez de Rooney e Cristiano Ronaldo. Nenhum dos garotos-propaganda conseguiu escrever o futuro, como é o mote da campanha de 2010 da multinacional da vestimenta esportiva dos EUA. Kaká, Messi e Villa, meninos da concorrente Adidas, continuam na corrida." (Fernando Lima Gama Junior )

sábado, 26 de junho de 2010

A Academia e os pitacos políticos.

Para quem não sabe, eu faço Geografia. Um dos meus maiores orgulhos nessa fase da vida.
Entrei no curso gostando muito da área de política e economia, e hoje, seguindo para o 4° semestre, assumo ainda mais minha paixão por economia e política, e descubro cada vez mais um maravilhoso universo dentro da chamada "geografia física" Aquela que tem a capacidade de explicar porquê o aquecimento global pode ser uma mentira, ou algo bom à natareza, uma vez que a "vida gosta de calor". Aquela geografia que reconhece que se as calotas polares derreterem totalmente, a Rússia terá o maior mar navegável do mundo. Será ruim para a Rússia o quecimento global???

Pena que na escola, meus professores ensinavam apenas que geografia física era decorar a diferença de chuvas entre São Paulo e Amazonas.

Sempre me perguntei o motivo dessas comparações, e hoje me questiono ainda mais. Ora, no Brasil tem mais gente que conhece a Disney do que a Amazônia, logo seria melhor comparar os índices de chuva entre São Paulo - a cidade dos que pensam ser novayorquinos - com os índices de chuva de Orlando, cidade que abriga a Disney, a única empresa que consegue fazer sucesso com um desenho que se desenrola todo na África, mas com o único personagem negro sendo um macaco.


Toda essa divagação fugiu um tanto da minha proposta, mas volto a ela agora.
Comecei meu texto assumindo o gosto pela economia pois agora pouco estava lendo um trabalho que fiz na matéria de Geografia Econômica, matéria em que tive que fazer prova de recuperação. Pense o que quiser sobre isso, mas a vida é assim, gostar de algo não é ter sucesso nele.

O pior de tudo é que, depois de quase um ano, leio meu trabalho e gosto muito dele, não sei porque a professora foi tão reativa com minha idéias. Mas tudo bem, sou vaidoso, gostei do que escrevi e por isso coloco um pedacinho do texto aqui. Nele falo um pouco sobre a Argentina, o modo de exploração das empresas e dou uma cutucada na mídia, essa mídia que está tentando transformar o Dunga num monstro, ou melhor, um anão num gigante, sendo que o gigante é a Fifa, a empresa que fez uma Copa no país que inventou a cerveja, a Alemanha, mas obrigou o anfitrião do maior campeonato de futebol a vender cerveja americana. Um soco no estômago da alemãozada.

Bem...segue logo o texto, antes que isso vire uns dez posts, rs:

O Estado no mundo subdesenvolvido não só orquestra desvalorizações, mas definitivamente, abre as pernas para que empresas globais se apossem de bens naturais do país, privatizando água, energia, recursos minerais e bancos, provocando em muitos casos, choques e crises pavorosas. Caso do governo Menem na Argentina. País que ao ficar "mal da pernas", com o aparato do Estado, congelou contas bancárias dos cidadãos e deixou escapar mais de 40 bilhões nas mãos de empresas que partiram em disparada do país, provocando um caos total, que eclodiu em massas nas ruas exigindo o seu dinheiro de volta.


A abertura da economia argentina para empresas estrangeiras, associado à crescente dependência entre este país e o FMI durante a década de 90 no governo Menem foi chamado de "El modelo". Basicamente, o modelo consiste no que disse Milton Santos em “Por uma outra globalização”. Ou seja, as empresas [...] que são também agentes financeiros, mobilizados em função da sobrevivência e da expansão de cada firma em particular [associado] a lógica dos governos financeiros globais são os carros chefes da lógica do dinheiro. Como forma de conter os protestos, os detentores do papel de emitir informação crítica, fazem o papel de confundir a todos.

e...nas palavras de Milton Santos.


"O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. Isso tanto é mais grave porque, nas condições atuais da vida econômica e social, a informação constitui um dado essencial e imprescindível. Mas na medida em que o chega às pessoas, como também às empresa e instituições hegemonizadas, é, já, o resultado de uma manipulação, tal informação se apresenta como ideologia."

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A diferença do bom Rap.

Segue um vídeo indicado por um grande amigo, André Madruga.

Porquê rap mesmo não é clipe em mansão com carro de luxo, é protesto.




Acorde!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Denúncia!

Texto do blog do Nassif sobre o jogo da mídia, excelente.

A mídia e a tática da demonização.

por Luís Nassif

As pesquisas qualitativas dos institutos de pesquisa Datafolha e Ibope são bastante reveladoras de métodos tradicionais da velha mídia.
Até algum tempo atrás, uma das táticas mais bem sucedidas do jogo jornalístico consistia na demonização de personagens. Criavam personagens à altura dos filmes de terror classe B de Hollywood, passando para o leitor a sensação do perigo iminente, do vilão de sete vidas cujo único antídoto era o trabalho corajoso e pertinaz da mídia.
Depois da democratização, viveram esse personagem sucessivamente Orestes Quércia, Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor, Sérgio Motta. Em caráter regional, Joaquim Roriz. Mais recentemente, Renan Calheiro e José Dirceu.
É só conferir o depoimento do leitor que foi pesquisado pelo IBOPE – com a pergunta sobre o que achava de José Dirceu – e a matéria de hoje da Folha, uma forçada de barra para colocar o nome de Dirceu na campanha.
um jogo tão óbvio que no ataque perpetrado pela Folha contra mim, a editora de Política Vera Magalhães colocou na matéria que, no tal episódio da Eletronet, eu tinha feito a defesa do Dirceu. Quem leu sabe que não houve nada disso, mas incluindo o nome do "maldito", julgava poder prescindir da necessidade de levantar argumentos consistentes sobre a cobertura que dei ao caso - e que comprometia a Folha.
Embora a própria opinião pública considerasse vilão maior, ACM jamais entrou nessa lista. Sempre foi poupado mercê dos grandes favores prestados a grupos de comunicação, quando foi Ministro de Sarney; e também graças às ligações com grupos de influência entre jornalistas – pessoas que, mesmo sem ocupar cargos de direção, lograram montar um séquito de aliados nas diversas redações.
Na ponta do lápis, não há grandes diferenças entre os métodos de alguns capitães de mídia e alguns coronéis políticos.
No início da série sobre a Veja, mostrei a estratégia da manipulação de escândalos, comparando a uma gôndola de supermercado, na qual o jornal retira o pacote de escândalo conveniente a cada momento, se não tem fabrica, com o intuito de transformar em arma dos seus próprios interesses pessoais. O denuncismo da mídia não obedece a uma lógica de depurar a política e controlar os poderes, mas como ferramenta de seus próprios interesses.
Logo depois, esse jogo se escancarou de maneira inédita com os desdobramentos do caso Satiagraha, no qual a velha mídia fuzilou reputações de juízes, desembargadores, jornalistas, delegados de polícia de forma inédita. E tudo isso em defesa de Daniel Dantas.
Com as características da política brasileira, a indignação seletiva pe desmascarada instantaneamente. Aliançcas são inevitáveis. Lula se alia a Collor e Renan; Serra a Quércia e Maluf; FHC recebe Joaquim Roriz. Ou seja, demônios para todos os gostos e partidos. A velha mídia seleciona apenas os dos adversários, praticando o velho jogo dos tempos das cortinas fechadas. Só que a blogosfera inteira acompanha o jogo de dentro do palco. Algo ridículo.
Por isso mesmo, esse denuncismo tende a perder força a cada momento. E, insistindo nesse jogo aberto – porque escancarado hoje pelas novas mídias – a velha mídia arrisca-se a ser o próximo ator do personagem que ela escolheu: o demônio da hora.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Para se pensar.....

"Se reinasse a paz mundial a indústria bélica dos norte americanos iam fazer o que? Investir em igrejas?"

[comentário do internauta Alex no site "http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-futuro-de-hillary-clinton#more"]

Ocupação X Invasão

Porque quando os EUA invadem um país, enforca seu chefe de Estado, e implanta um governo fantoche, a mídia chama de ocupação.
















.....se o protesto é por salários, sem mortos ou feridos, vindo da classe trabalhadora, o nome é invasão.



Nem o Zeca Camargo aguenta mais a Globo.

Segue aí um vedeozinho maroto do Zeca Camargo dando uma bocejada ao vivo...reparem o pulinho de susto que ele dá... rs













sábado, 5 de junho de 2010

Fatos e versões. Israel nos ensina, como os EUA, a inventar inimigos.

Quando Hitler brincava de War nos territórios europeus, conquistando locais na conversa ou no canhão, as vezes só no canhão, tinhamos um mundo geopolíticamente divido em: Comunistas, representados pela extinta União Soviética; Liberais capitalistas representados pelos países ocidentais; e os Nazistas, representados por preconceituosos, desesperados, apaixonados, fanáticos, e todos que tivessem potencial para ter suas mentes guiadas por um louco austríaco defensor da identidade alemã.

Que esse arranjo de conflitos terminaram na Segunda Guerra Mundial matando milhões de pessoas não é novidade.
Cabe aqui a pergunta: Quando a guerra tornou-se inevitável?

Para essa pergunta temos uma resposta dada pelos liberais, uma dos nazistas, e uma dos comunistas.
Vamos por partes...

Em 1938, quase um ano antes da guerra estourar, um acordo firmado entre ingleses, franceses, italianos e hitleristas decidiu o futuro da Checoslováquia, dada de lambuja para Hitler.

Para os Comunistas este acordo incentivou Hitler a avançar sobre o leste europeu, quebrando o Tratado de não-agressão Germano-Soviético.

Para os ingleses, o pacto Germano-Soviético (hitler-stalin) era uma aliança de totalitarismos, o que tornou a guerra inevitável.... É daí que surge a famigerada idéia tão projetada pela mídia podre e pelos pobres de espírito de que facismo e comunismo são farinha do mesmo saco.

Para os Nazistas, a Inglaterra declarou guerra à Alemanha simplesmente porque os alemães estavam "se dando bem" na questão da Polônia.



Três versões para um mesmo fato. Normal tanto em política internacional como em fofocas de bairro. Trabalho a mais para historiadores, e curiosos em geral.


Recentemente tivemos um stress internacional triste e curioso:

Israel recebeu a balas um navio com pessoas que levariam ajuda humanitária a Gaza (alimentos, remédios, material de construção, etc).

Israel se defende alegando ter sido primeiramente atacado. Para se defender matou 9 passageiros desarmados....O Estado israelense sabe mesmo o que é ser desproporcional.

Os EUA, acostumados a dar xiliques pirotécnicos quando tem seus interesses afetados não parecem ter ficado tão irritados....Terrorismo é atentado de xiita quando explode a cintura na frente da embaixada. Quando o Estado judeu mata inocentes o nome é 'evento trágico' como disse o Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado americano. Esse discurso é apoiado pela falta de discussão séria dos meios de comunicação sobre o assunto. Os canais de televisão parecem que do Oriente Médio só conhecem o luxo de Dubai. Mostre a alguém um palestino torcendo para seu time de coração e veja o espanto do brasileiro ao saber que existe palestinos que fazem a barba e falam de futebol.

A Turquia, democracia muçulmana que integra a Otan classificou o episódio do ataque como criminoso.

Representantes da União Européia, da Onu, da Otan, do mundo todo, tem condenado o ataque, inclusive os EUA, timidos que só, mas condenaram....e cabe aqui outra pergunta: Quando e porquê o extermínio de inocentes tornou-se inevitável?

Hoje não temos mais um mundo divido em comunismo/liberalismo/nazi-facismo, mas comunistas e capitalistas ainda se fazem representar. O nazi-facismo acabou, mas Israel parece estar tentando suprir a lacuna com um outro tipo ideologia de extermínio.

As crianças palestinas que hoje tem por volta de dez anos ja conhecem bem o sofrimento, e sabem de onde ele vem. Corto meu pescoço mas não falo de onde é.

Daqui a poucos anos, quando esses garotos ja tiverem idade o suficiente para defender seu povo como tem feito alguns dos palestinos., com bombas, qual versão dos fatos será contada para explicar as razões do 'incidente'?

Hoje, Israel é quem brinca de War com os palestinos, mas os palestinos ainda não aprenderam o jogo. E não se espante se alguém pegar o controle da mão deles para brincar de igual para igual com o Estado judeu.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A transformação da saúde em um comércio perverso.

A Folha divulgou um estudo do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de SP), onde médicos foram questionados, entre outras coisas, sobre a influência dos propagandistas de laboratórios farmacêuticos na hora da prescrição de um medicamento.

48% dos médicos que recebem visitas de propagandistas de laboratório em seus consultórios responderam que seguem as sugestões dos mesmos.
Ou seja, boa parte dos médicos lhe dão um remédio a partir de orientações de uma indústria especialista na área, que o atualiza das novidades do mercado. O que não teria nada de errado....

Quem assistiu ao filme "O Jardineiro fiel" sabe que tem algo errado, e muito errado mesmo.

O filme conta um pouco sobre como alguns desses grandes laboratórios "testam" seus remédios obrigando pacientes aidéticos da África, que recebem remédio gratuito de certos laboratórios, a tomarem um outro remédio, e relatar seus 'efeitos'.

A lógica é simples:

Você é um africano pobre e aidético. (desgraça pouca é bobagem)

Se quiser meu remédio para AIDS de graça terá que tomar um outro, para outra doença qualquer, só pra me dizer os efeitos colaterias.

Quando eu chegar a uma fórmula que não provoque danos eu começo a vender o medicamento na Europa.




Inocência é achar que isso ocorre só na África.
Se o país é do sul e pobre, é grande candidato a ser o berço dos testes de medicamentos. Que orgulho eim!


Uma das substâncias mais usadas para emagrecimento no Brasil é a sibutramina.
A Emea, agência de medicamentos da Europa, suspendeu o uso do medicamento pois o mesmo aumentaria os riscos de doença cardíaca.

O Brasil é recordista em consumo de remédios para emagrecer, e a sibutramina é uma das substâncias legalizadas encabeçando a lista das mais usadas para emagrecimento no país. Acaso?...

Quem for mais curioso encontrará uma lista grande de remédios proibidos nos EUA e Europa e ainda comercializados nos desgraçados países do sul. Divirta-se.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

José Serra nos dá uma lição de como não se fazer Política. Ou de como fazê-la com "p" minúsculo.

O post anterior sobre o Serra foi uma brincadeira surgida a partir de algumas idéias que tive em conversas sobre a lei anti-fumo, os episódios deprimentes de repressão policial na USP em 2009, e outras coisas mais sobre o governo Serra... Créditos à conversa com o Prof. Dr. André Roberto Martin.

A relação existente entre esses dois episódios citados foi que em ambos os casos o sr. José Serra conseguiu desagradar a gente que normalmente vota nele.

Me explico nest post com o caso da repressão policial, e num próximo post tentarei sistematizar opiniões sobre a lei anti-fumo.

Vamos lá:



Quando da greve na usp de funcionários, alunos, e professores (que tbm são funcionários, embora não pareçam gostar da distinção), havia nas exigências dos sindicatos de ambas as categorias, propostas sobre carreira e questões salariais. Reclamações comuns a qualquer categoria.

A greve geral começou efetivamente após a fatídica invasão da tropa de choque na USP e a porradaria que se sucedeu.

Foi um dia de manifestação que reunia apenas algumas centenas de pessoas entre estudantes e funcionários em geral - incluindo professores - concentrados num dos portões da USP. O portão principal é óbvio...
Havia faixas e gritos de protestos os mais variados. Estavam ali tanto os apenas curiosos, a fim de ver no que aquilo tudo ia dar. Como aqueles que vêem nos movimentos de contestação sempre uma possibilidade de mudança, e queriam ajudar, compor a massa.
Entre esses há de tudo, marxistas, anarquistas, utópicos variados e, óbviamente, os que representam algum partido político normalmente de esquerda. PCO, PC do B, PSOL...

A porradaria intensa não quebrou o movimento. Pior, fortaleceu...
Os estudantes recuaram na base da borrachada e do famoso gás de pimenta, aquele usado "para temperar a ordem", como cantou o Nação Zumbi na expressão magnífica de Chico Science.

Ruas e ruas da cidade universitária tomadas pelos policiais do choque num movimento verdadeiramente de guerra, sem dó, e sem reação é óbvio.... É difícil bater em policiais com livros....






Os estudantes conseguem impor algumas barricadas, tomando ao menos algumas vias próximas aos prédios que compõem as faculdades de humanas na cidade universitária...

Parte dos estudantes dormiram nestas barricadas, e quem estava em casa pode assistir a péssima cobertura do Datena sobre o evento. E a infeliz redução do movimento a uma “treta com policiais”

No outro dia..., a resposta.

Professores, alunos e funcionários indignados.
Excluindo é lógico a parcela de alunos e estudantes alienados, assistindo e dando suas aulas como se a tropa de choque na universidade fosse coisa comum...

Triste dizer, mas estes "alienados" eram maioria.

Não são de tudo culpados. O Movimento Estudantil está estagnado numa politicagem que eu chamaria de"cabrera". Mas isso cabe em outro post.

A reitora na época, Suely Vilela, responsável primeira pela chamada da polícia, foi alvo de expressões e xingos que ela talvez nem conheça... Faltou pedir a cabeça dela na assembléia de professores...

A greve continua por mais um tempo e algumas vitórias são efetivadas. Certo aumento e outros benefícios poucos.

Acaba-se a greve, acaba-se o ano, muda-se o reitor.

O reitor é escolhido pelo governador a partir de uma lista de 3 candidatos votados num conselho universitário que compõe 320 votantes entre alunos, diretores e outros.
Ou seja. Os 320 podem votar em qualquer professor titular da usp que queira ser reitor. Os três primeiros colocados vão para a mão do governador de São Paulo, que elege o reitor ao seu bel prazer.

Acontece que desde o fim da ditadura militar os governadores sempre escolheram o primeiro da lista para ocupar o cargo, demonstrando espírito democrático. Mas Serra, o "economista", escolheu o segundo colocado da lista, elegendo o sr. Dr. Magnífico Grandíno Rodas. Personagem que fora diretor da faculdade de direito e que como seu mestre Serra, também colocou a polícia dentro da faculdade.





É óbvio que isso gerou e está gerando um debate. Lento...mas acontece.
E nesse contexto de debate, a greve.

Os funcionários da USP estão em novamente em greve desde o último dia 5.

Alunos e professores continuam suas aulas. Mesmo sem datas-show, restaurante universitário, biblioteca e tudo o que os funcionários administram...

Os estudantes da faculdade de direito tem fama de serem reacionários, partidários do PSDB, DEM e companhia. Só que dessa vez Serra ta pisando no pé....

Os estudantes da faculdade de Direito, a São Francisco, estão indignados com o Reitor, elegido por Serra.
Coloco a carta destes estudantes aqui, pois valerá mais a leitura do que uma explicação minha:

Carta dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo a toda a comunidade acadêmica

Caros Colegas,

Ao longo dos últimos anos, fomos obrigados a conviver com um desrespeito quase que diário a valores fundamentais, como a liberdade e a democracia, e é sobre esse desrespeito que queremos tratar aqui. Um desrespeito que de tão grande deixou de atingir apenas a nós, alunos de direito, e passou a atingir toda a comunidade da Universidade de São Paulo.

Em 2007, logo no início da gestão do então diretor da faculdade e hoje reitor da Universidade, Prof. João Grandino Rodas, fomos obrigados a aceitar uma reforma de grade atribulada, marcada pela pressa e pela falta de diálogo, e a ver a tropa de choque entrar em nosso pátio, acontecimento que não se repetia desde a ditadura militar. Em 2008, por muito pouco não assistimos a instalação de catracas e câmeras de segurança nos corredores de nossa faculdade sem qualquer discussão prévia. Ano passado, último ano de gestão do Prof. Rodas, ao iniciarmos as aulas, fomos surpreendidos por uma reforma sem prestação de contas. Além disso, presenciamos decisões administrativas no mínimo duvidosas, como o fechamento repentino da faculdade em plena semana de provas e a aceitação de uma “doação” que exigia uma contraprestação envolvendo duas salas, sem que isso passasse pelo processo administrativo previsto no estatuto da universidade. Porém, foi no inicio deste ano que a faculdade sofreu o maior de todos os atentados contra a democracia e a dignidade de seu patrimônio.

Em janeiro de 2010, no último dia de gestão do Prof. João Grandino Rodas, três portarias secretas foram baixadas. Elas determinavam a nomeação de duas salas, assunto que ainda estava em pauta na Congregação, e a transferência das nossas bibliotecas para um prédio anexo próximo à faculdade. Em três dias, nossa biblioteca com mais de 160 000 volumes foi encaixotada sem qualquer ordem ou cuidado, e transferida para um edifício sem a menor estrutura. O prédio, que se localiza na Rua Senador Feijó, nº 205, e que convidamos todos a conhecer, não possui ventilação, sistema de segurança e laudo que afirme ser a estrutura capaz de agüentar o peso de tantos livros. Possui vazamentos, fios desencapados e animais mortos que trazem risco constante, não só ao nosso patrimônio, mas a saúde dos funcionários que lá trabalham. Nossa biblioteca, que foi construída ao longo de 185 anos e que é considerada hoje a maior e mais significativa biblioteca jurídica do país, permanece encaixotada e inacessível. Nossos livros, que são o centro de toda a atividade acadêmica da Faculdade, estão sob as piores condições possíveis de conservação, muitos estão molhados devido a um cano que estourou e vários já sofreram danos irreversíveis.

Em abril, diante de um pedido de alunos e professores integrantes de uma comissão formada para discutir os rumos da biblioteca, o atual diretor da faculdade, Prof. Antonio Magalhães Gomes Filho, determinou a volta de parte do acervo para nossa sede. Por conta disso, a reitoria da USP começou a ameaçar a Faculdade de Direito. Ameaçou diminuir concursos para docentes, reduzir nossas verbas, tomar nosso prédio e, ainda assim, a decisão tomada pelo diretor, que mais tarde foi complementada e reafirmada por uma ordem judicial, foi mantida.

Diante dessa resistência às ameaças, o vice-diretor, Prof. Paulo Borba Casella, aproveitando-se de uma sexta feira em que nosso diretor estava hospitalizado, tentou de forma ilegítima revogar as ordens que determinavam a volta dos livros ao prédio histórico da faculdade. Graças à mobilização de diversos professores, não vimos um golpe na Faculdade de Direito.

Neste grave contexto, alunos, professores e funcionários uniram-se, nesta quarta feira (11/05), em um ato público que contou com a presença de mais de mil pessoas. Protestamos contra o que vem acontecendo e deliberamos sobre uma paralisação estudantil inédita na São Francisco. Fomos atingidos no centro do patrimônio público e no centro de nossos ideais. Não podemos e não vamos tolerar atentados tão graves à legalidade e à democracia dentro da Universidade. Exigimos o acesso às nossas bibliotecas, a renúncia do atual vice-diretor e a responsabilização e manifestação pública do Reitor e dos demais culpados pelos danos causados a este acervo.

Não somos contra transformações no espaço da faculdade, como veiculado pela grande mídia, muito pelo contrário. Sabemos que melhorias são necessárias. Entretanto, acreditamos que essas transformações devem ser fruto de um processo marcado pelo diálogo e pela transparência. Por conta da falta destes é que hoje somos uma faculdade sem biblioteca e, por pouco, não nos tornamos uma faculdade presa ao autoritarismo.

Os acontecimentos que presenciamos nos últimos anos culminaram com uma clara manifestação de desrespeito a um dos maiores patrimônios públicos do país. Sendo assim, esperamos que esta carta não seja apenas um relato da nossa ultrajante história recente, mas seja, também, um grande protesto contra a forma irresponsável como vem sendo tratado o patrimônio intelectual e material da Universidade de São Paulo.

Atenciosamente,

Alunos e Alunas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo

Para mais informações e fotos do acervo acesse:

http://182-21.blogspot.com





É por isso que Serra pode estar cavando sua cova, arrumando inimigos até onde antes era o seu reduto....

E é por isso que digo: Serra não fez bem à educação, não fez bem à política, e não fez bem à democracia.... Mas ta difícil resolver isso no voto. Os que fizeram, fizeram pouco, ou quase nada.

Apenas 2% dos estudantes universitários no Brasil são negros, num país onde de acordo com dados do IBGE, pretos e pardos formam 45% da população...

No Sudeste, 82% dos estudantes do ensino superior freqüentam instituições particulares. Numa região onde a renda média é cerca de R$ 1.000 e aquele que faz faculdade a menos de 500 reais está possivelmente condenado a ter um diploma que não será levado tão a sério.

Quem paga o ensino público dos 18% ???

Pretos, pardos e pobres do Brasil. Uni-vos!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Vote em Serra para Presidente......

.....e veja como se faz política com autoritarismo:
























...e com repressão:
























































Porque quando os estudantes querem vagas, e os não fumantes o bom senso,....Serra resolve é na bala:




segunda-feira, 24 de maio de 2010

Para se entender a polarização dos votos...

Repasso este texto do Blog de Marcelo Fantaccini Brito. Um estudo de caso excelente na tentativa de se entender o voto do brasileiro.



Padrão de distribuição geográfica do voto: o Brasil virou EUA e os EUA viraram Brasil

Em uma eleição realizada em países de dimensões continentais, com território heterogêneo em termos de economia, sociedade e cultura, como seriam os resultados por região? Existiria a tendência das partes mais ricas de um país optarem por candidatos progressistas e as partes mais pobres optarem por candidatos conservadores? Ou a tendência seria a oposta?

Observando dois países gigantes, como o Brasil e os Estados Unidos, é possível dizer que a polarização política regional não segue um padrão imutável no tempo. Há tendências que podem ser invertidas.

No Brasil, o voto nos estados mais pobres foi mais conservador do que nos estados mais ricos por um longo período, que durou de 1945 a 2000. UDN, Arena e PFL tinham mais força nos estados das regiões Norte e no Nordeste, enquanto que PTB, MDB e PT tinham mais força nos estados das regiões Sul e no Sudeste. Em 2002, não houve polarização regional. Lula ganhou de lavada em todas as regiões do Brasil. Nas eleições municipais de 2004, teve início a tendência do PT e do PSB serem partidos mais fortes no Norte e no Nordeste. Esta tendência foi acentuada na eleição presidencial de 2006. Uma tendência, porém, persistiu: São Paulo como um estado que pende para a direita e o Rio de Janeiro como um estado que pende para a esquerda.

Nos Estados Unidos, o voto nos estados mais ricos foi mais conservador do início do século XX até o final dos anos 70. O Partido Republicano tinha muita força em estados ricos, como Maine, New Hampshire, Connecticuit e Vermont no Nordeste, e a Califórnia no Oeste. O Partido Democrata tinha muita força em estados mais pobres, como os do Sul. Os candidatos locais eleitos pelos sulistas não eram nem um pouco esquerdistas, pois o Partido Democrata era o preferido dos segregacionistas.

Mas os sulistas, com exceção de 1964, 1968 e 1972, votavam nos candidatos presidenciais democratas, como Roosevelt, Truman, Kennedy e Carter, assim como eleitores progressistas do Norte. Nos anos 80, não foi possível enxergar polarização geográfica do voto porque os republicanos levaram as eleições presidenciais de lavada. A partir de 1992, o mapa eleitoral dos EUA começou a ser redesenhado. O Nordeste, invertendo a situação anterior, tornou-se uma fortaleza democrata, enquanto que o Sul, também invertendo a situação anterior, tornou-se uma fortaleza republicana. Apesar de algumas inversões, algumas tendências persistiram. Nova York, Massachussets e o DC sempre foram e continuaram sendo democratas, e o Oeste interiorano sempre foi e continou sendo republicano.

Em resumo, o padrão de distribuição geográfica do voto no Brasil em tempos presentes é o mesmo que o dos EUA em tempos passados e vice-versa.
Os mapas a seguir, com os resultados das eleições presidenciais brasileiras de 1989 e 2006, e os resultados das eleições presidenciais norte-americanas de 1976 e 2008, mostram bem as tendências descritas.

Vencedor da eleição presidencial no Brasil de 1989 por estado

















Vencedor da eleição presidencial no Brasil de 2006 por estado

















Vencedor da eleição presidencial nos EUA de 1976 por estado












Vencedor da eleição presidencial nos EUA de 2008 por estado












Fonte [das imagens]: Wikipedia





É possível ver nos mapas grandes inversões nos dois países. Vejamos o Brasil primeiro. Os únicos estados que preferiram Lula em 1989 e Alckmin em 2006 foram Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que são dois dos estados brasileiros com maior qualidade de vida. Já a Região Norte, foi inteira de Collor em 1989 e quase inteira de Lula em 2006.
Nos Estados Unidos, também houve mudanças marcantes. Muitos estados vermelhos viraram azuis e muitos estados azuis viraram vermelhos. Em 1976, Jimmy Carter levou o Sul (o da Confederação) quase inteiro, só faltou a Virgínia. Grande parte do Nordeste optou por Gerald Ford. Em 2008, Obama perdeu em quase todo o Sul. Ganhou apenas, justamente na Virgínia, e também na Carolina do Norte e na Flórida. O Nordeste foi todo para Obama. Dois estados enormes, como o Texas e a Califórnia, inverteram os lados.
Qual seria a explicação mais plausível para esta instabilidade de polarização política por regiões em grandes países? Podem ser os temas de campanha.

Quando o que divide os eleitores são temas econômicos, como o tamanho do Estado, o total de gastos em programas sociais e o papel do Estado em redistribuir renda, a poliarização por classe social costuma ser mais acentuada. Os ricos tendem para a direita e os pobres tendem para a esquerda. Como nos estados mais ricos há mais pessoas ricas e nos estados mais pobres há mais pessoas pobres, a polarização de classes se transforma em polarização regional, e portanto, o voto em regiões ricas pende para a direita e o voto em regiões pobres tende para a esquerda.

Quando temas culturais como religião, homossexualidade, aborto, educação e criminalidade tornam-se importantes para a definição do voto, a polarização de classe é suavizada. Candidatos com visões progressistas sobre estes temas tendem a atrair o voto de parcela da população mais letrada da classe média alta. Candidatos com visões conservadoras sobre estes temas têm penetração em parcela importante da classe média baixa e da população pobre das áreas rurais. Estados mais ricos, com cidades maiores, população mais urbana e maior influência de universidades tendem a serem mais progressistas do que estados mais pobres, com grande parcela de população vivendo em zona rural ou em cidades pequenas. Apesar disso, a polarização de classe neste caso não é completamente eliminada. Os candidatos esquerdistas são os preferidos dos mais pobres que vivem em estados mais ricos.

E o que esta análise serve para prever o futuro político no Brasil?

Muito provavelmente, a polarização regional da eleição presidencial de 2010 será a mesma que aconteceu na de 2006. Serra será preferido no Sul, em São Paulo e talvez no Centro-Oeste, e Dilma será preferida no restante no Brasil. Pelo que as pesquisas atuais indicam, porém, a polarização será mais suavizada. Nos próximos anos, com a população do Brasil cada vez menos pobre, e com cada vez mais gente entrando na classe média, temas culturais podem ter importância crescente, em detrimento de temas econômicos. Neste caso, o mapa eleitoral no Brasil pode ser novamente redesenhado, e não sabemos como será o novo desenho.

link para matéria direto do Blog: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/padrao-de-distribuicao

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Hillary Clinton e "a invenção de um inimigo".

Ta ok.

O Brasil faz um acordo com o Irã e Hillary Clinton, Secretária de Estado dos EUA, pede à comunidade internacional uma "resolução com sanções mais fortes".

Agora, em episódio recente, a Coréia do norte ataca um navio sul-coreano matando 46 tripulantes e Hillary Clinton pede "forte resposta internacional" ...e complementa: "É importante enviar uma mensagem clara à Coreia do Norte de que comportamentos provocadores têm consequências".



Quem está provocando quem???



Os discursos proferidos por hillary nos últimos tempos tem sido carregados de um ranço bélico tenebroso.

Os EUA, defensores da 'democracia' ocidental, já nos ensinaram como fazer uma "guerra preventiva"....É fácil:

* Fazemos uma lista de inimigos. Para os EUA da última era Bush os inimigos eram os grupos terroristas internacionais, os Estados que os toleram e os países que possuem armas de destruição em massa, podem telas, ou pensam em produzi-las.

* Depois disso deixamos claro que não podemos novamente receber ataques como o do 11 de Setembro. E então a guerra se justifica por um motivo de "prevenção".


É difícil entender a atual estratégia americana no desenrolar dos fatos. Cabe a reflexão e o olhar crítico no atual momento para decifrarmos qual tem sido a estratégia para se 'alimentar' as próximas guerras.


Algumas evidências já estão colocadas:


* Os discursos, pelo menos por parte de Hillary, tem sido ameaçadores.
* O Irã está colocado como país que pode e tem intenções de ter armas nucleares.
* E a secretária de Estado não tem conseguido controlar sua vontade insana de "enviar mensagens claras"...sejam elas quais forem... Cartas, pombos-correios ou mísseis scud.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Irã é o próximo Iraq?

Hillary Clinton subiu no palanque do senado americano nesta terça-feira (18) dizendo que o acordo sobre enriquecimento de urânio realizado entre Brasil-Turquia e Irã serviu apenas para enrolar as potências ocidentais...segue um trechinho do discurso:

“Enquanto reconhecemos os esforços sinceros da Turquia e do Brasil para encontrar uma solução para a disputa iraniana com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear, estamos preparados para apelar à comunidade internacional por uma resolução com sanções mais fortes que vai, sob nossa ótica, enviar uma mensagem clara a respeito do que esperamos do Irã


A parte em negrito é de destaque meu...
Os EUA, país que entrou em guerra contra o Iraq, contrariando a posição da ONU, afirmava que o governo de Saddam Husseim obtinha armas de destruição em massa.
Mais de 5.000 soldados americanos mortos no Iraq e dezenas de milhares de civis iraquianos mortos numa escalada que chegou ultrapassar mais de 500 mortes por mês....e até hoje nenhuma arma química ou biológica encontrada....

Em 2002, um ano antes da guerra com o Iraq, Bush fez um discurso onde declarou:

"[...]o regime iraquiano possui armas biológicas e químicas, reconstrói instalações para fabricar ainda mais e, segundo o governo britânico, poderia lançar uma arma química ou biológica em 45 minutos (...) Este regime está tentando ter a bomba nuclear e com os materiais físseis poderia fabricá-la em um ano".

Ele somente se enganou???


Os EUA são peritos em "criar inimigos". Não é fácil justificar que seu país é responsável por metade dos gastos militares do mundo. Tem que ter inimigos, e "construir" guerras...


Segue três pequenos vídeos de entrevista com Antonio Salgado, embaixador no Teerã, capital iraniana.
Bem melhor que os discursos do jornal da Globo ontem, que apelou até para um comentário de um professor de Relações Internacionais da USP dizendo que o acordo sobre o enriquecimento de urânio não valeu de nada.

O Brasil de Lula e seus acessores fez um acordo inédito com o presidente do Irã. Acordo este que não havia obtido sucesso nas reuniões com os paises de "primeiro mundo"....obviamente temos que ser céticos, o acordo até o momento só esta no papel...os EUA são céticos...
Mas temos que ser céticos quanto aos EUA, e procurar entender porque o discurso do Jornal da Globo de ontem alinha-se tanto com o de Hillary Clinton hoje....coincidência???








segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lula, Irã e as previsões de "especialistas".

Em novembro de 2009 Lula recebeu o presidente iraniano Ahmadinejad no Brasil.

José Serra, o "economista", escreveu na época um artigo na Folha de São Paulo criticando a visita.
Valeu de tudo. Serra chamou Ahmadinejad de "símbolo da negação", o comparou com Stalin e prosseguiu com sua defesa de que não deveriamos receber visita de tal presidente...Serra se utilizou do argumento de que Ahmadinejad não é democrático para criticar a politica externa de Lula...
...Lula não deve falar com ditadores e mal caráters? Fazemos política ou clube de amigos?

Aliados às ideias de Serra alguns "jornalistas" também criticaram o governo brasileiro....
Vale a pena ver o que os pupilos da revistinha veja, Diogo Mainard e Reinaldo Azevedo falaram...

segue uma do Mainardi:

"Em 16 de maio, o bispo Lula emulará o presidente Romualdo e dará o passo mais ruinoso de sua carreira. Ele procurará Mahmoud Ahmadinejad em sua cadeia iraniana e negociará com ele "olho no olho", prometendo ajudá-lo a escapar da polícia dos Estados Unidos e da Europa."
Link para a matéria completa

Bem...acho que o acordo não foi "o mais ruinoso".
Já diz tudo o título da matéria no site da BBC. "O Irã assina acordo nuclear proposto por Brasil e Turquia."


Mais uma vez apostamos em colunas com esses "jornalistas" se retificando e parabenizando a ação diplomática de nosso governo? Problematizando o assunto e procurando entender o que esse acordo significa?

Aposto, novamente, em notícias brandas e burras...

José Serra e a matemática.

segue uma quentinha do blog do palpiteiro...

"Então está explicado"

José Serra fazia engenharia na USP quando era presidente da UNE, em 1964.


José Serra apoiou João Goulart e foi perseguido pelo regime militar, assim como Jango.


José Serra afirma que estudou economia e muita gente acredita nele.


Muita gente que gosta de José Serra como político o acha um gênio como pessoa.




José Serra governou o Estado de São Paulo entre 2007 e 2010.




Gente que entende de educação questiona sua competência no governo.




José Serra quis uma vez dar uma aula de matemática a crianças.






O cálculo era simples. Uma divisão. 137 : 37.




Acesse o vídeo abaixo e veja como Serra faz contas.




Deve ser assim que ele calcula suas chances de ser presidente em 2010...




http://cloacanews.blogspot.com/2010/05/assim-sera-educacao-no-governo-serra.html


para acessar a matéria no site do palpiteiro clique aqui.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

As peripécias de um governo que tenta agradar a gregos e troianos...

O Lula lançou no Dezembro último o PNDH, Programa Nacional de Direitos Humanos.
Pois bem. O PNDH é um projeto que inclui propostas diversas abrangendo temas referentes à saúde, propriedade privada, aborto, questões sociais, etc.

Alguns setores "chiaram" tanto, que nove pontos do programa foram alterados por Lula, atendendo à pedidos da igreja, dos militares e dos ruralistas. Representados respectivamente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pelo ministro da Defesa Nelson Jobim e pelos "coronéis" da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), gente que tem muita grana e, geralmente, pouca compaixão...



O Lula atendeu aos pedidos, e parece que tenta entrar pra história como alguém mais solidário do que um político com posição sólida.


Alguns dos pontos modificados foram:

Não usemos no PNDH a expressão “repressão ditatorial”;

Não vamos alterar o nome de ruas, praças e prédios públicos que levam o nome de torturadores do perído da ditadura brasileira de 1964 a 1985;

Não haverá participação de invasores de terra nos processos de reintegração de posse.


Traduzindo...

Evitemos escancarar os crimes praticados durante a ditadura.
Continuemos a promover a memória de torturadores, e julgando integrantes de movimentos pela reforma agrária de forma a não haver defesa da parte deles.


O Boris Casoy e seus seguidores irracionais esbravejaram bastante com esse PNHD, dizendo que no texto havia restrições à liberdade de informação da imprensa e tudo mais.



A CNA e Ministério da Defesa restringiram a possibilidade de um debate referente a ditadura e podaram mais ainda os direitos de defesa do MST e outros grupos de luta pela terra como um direito de todos.

Boris e seus amigos vão esbravejar quanto a isso? Aposto em notícias brandas...

...e o Lula? bem...ta tentando não pisar em calos...mais uma vez.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Papa, a Nossa Senhora, e os Negros.

No 13 de Maio Portugal celebra o dia dedicado à Nossa Senhora de Fátima.

O Papa, obviamente, segue viajem ao país em celebração.

Nos últimos anos Portugal aprovou uma lei para facilitar o divórcio, descriminalizou em 2007 o aborto, e tramita no país uma lei que permite o casamento homossexual.

O vaticano alega serem estas leis contrarias à doutrina católica. O Papa vai dar seus pitacos...


A relação é complicada.
De um lado, o Papa criticando um país quem tem 90% de sua população católica. Do outro, o Vaticano sendo criticado pela falta de ação nos casos de pedofilia, uma vez que vários bispos acusados de terem o mal de Michael Jackson (que Deus o tenha, e longe dos anjinhos) foram apenas transferidos para outras paróquias....Qual é? Um bispo, padre ou sei o que lá, tarado, violenta uma criança e é transferido? As paróquias que recebem esses "papa anjos" são distantes de creches e berçários? É isso?..

Bizarro.

Bem...no mesmo 13 de Maio "celébra-se" a Lei Áurea que "extinguiu" a escravidão no Brasil em 1888.

Portugal e espanha foram peritos na empreitada de transformar homens africanos em mercadoria.


A Nossa Senhora está em paz. Os negros nem tanto. 122 anos da abolição e o preconceito racial e o descaso com o negro em nossa sociedade é evidente. Faça um exercício. Conte quantos negros dão ou deram aula pra você. Porquê os negros não fazem parte da elite intelectual? Agora conte quantos negros há numa cela de presídio....


A igreja por muito tempo foi condizente com a escravidão negra. O Papa vai lembrar disso? Ou vai ficar nessa de que aborto, divórico e homossexualismo não são posturas cristãs?

Valerá a pena conferir seu discurso nesse dia 13.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sem intenção de matar???

Qual o trabalho do policial?

Não bastasse todas as mortes ridículas em brigas de trânsito, bares e outras besteiras conjugais, temos ainda que enterrar nossos filhos por causa de truculência militar sem motivos?

Porquê o policial bate no motoboy, preto, favelado, da Zona Sul, e te pede encarecidamente para que guarde o baseado quando você é branco e estudante universitário?

Qual o papel da polícia?


Segue matéria do site do Nassif, falando da polícia que espanca um filho na frente da mãe até a morte, bem no dia das mães...eles, os policiais, serão julgados por crime culposo, sem inteção de matar...

até quando??...


http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/05/10/a-escalada-de-violencia-da-pm-paulista/#more-60356

A terceirização e as greves.

Trabalhei dois anos e meio na Sitel, empresa que faz o atendimento e suporte técnico aos cliente possuidores de equipamentos (notebook, palm tops e outros) da HP. Serviço terceirizado. Não é novidade pra ninguém.

O suporte on-line era feito dentro da HP mesmo, lá em Alphaville. Tudo bonitinho,..sala de descanso com TV e tudo.... me disseram que até yoga tinha até um tempo antes de eu entrar na empresa.
Salário regular, pago sem atrasos, vale refeição de cerca de 170 reias e mais ajuda pra gasosa (no caso da pessoa usar carro pra ir trabalhar) de uns 180 reias se me lembro bem.

Ficamos sabendo de uma hora pra outra que passariamos a trabalhar na própria Sitel que tem sede na Barra Funda. Decidido e pronto. Em um mês estavam todos transferidos...pros que não conseguiam fácil acesso à Barra Funda, problema.

Chegando na sede da Sitel nos demos conta da perdas...a empresa não tinha estacionamento, logo cortaram o vale-gasolina justificando que não fazia mais sentido...como não estavamos mais em Alphaville e a comida na Barra Funda era, segundo a empresa, mais barata, cortaram cerca de 40 reais de nosso vale refeição. Até questionamos sobre ser ilegal reduzir os benefícios, mas nesse caso não era. A jogada é simples. Você assina um contrato ao entrar na empresa, onde um dos itens justifica que você recebe por exemplo 100 reais de vale refeição, o restante é um benefício "extra" da empresa, podendo ser cortado a qualquer momento.

O salário continuou na mesma...ufa.


Existe um sindicato que "respondia" por nós atendentes de suporte. É o Sintratel. Eles não se posicionaram, não emitiram um comunicado sequer. Perdemos. Não houve greve, só reclamações entre funcionários nos horários de respiro/almoço...


As empresas de telemarketing e a inércia de seus sindicatos é somente mais um exemplo dos setores que ja perderam a luta. Setores que não tem mais voz e ferramentas para questionar e resistir...se perdemos benefícios, não reclame, estamos prestes a perder o emprego...


Dia 5 desse mês os funcionários da USP entraram em greve. Ao menos nas faculdades de humanas da USP estão havendo debates entre alunos e funcionários. Os professores em sua maioria fingem que nada ocorre. Ganharam aumento salarial e um novo benefício no ano passado. Não há o que justifique a paralisação deles. A categoria foi comprada.

Entre os alunos, há os que são a favor de uma greve geral (alunos, funcionario e professores); os que são contra qualquer greve, e os que só querem assistir à Copa.

O Sintusp, sindicato dos trabalhadores da USP é um dos organismos que ainda defende o direito dos trabalhadores e protestam por boas condições de trabalho, pelos direitos da mulher, por salários justos...os trabalhadores, professores, e alunos, são a universidade...e a universidade está comandada por pessoas que a querem tranformá-la em uma empresa de telemarketing com um sindicato igual ao Sintratel...cabe a quem defender o direito ao ensino público de qualidade?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Espanha é aqui?

Os espanhóis gostam mesmo do Brasil.

O banco espanhol Santander comprou o Banco do Estado de São Paulo (BANESPA). Linhas de trem e vagões espanhóis tomaram conta das linhas da CPTM. Uma empresa espanhola, a tal de Telefonica, abocanhou a telefonia comprando a Telesp; e um grupo chamado Santillana toma conta dos livros didáticos vendidos às escolas em São Paulo através da acessoria de Paulo Renato Souza, secretário da educação em SP....o assunto é polêmico...

Não bastasse tudo isso, o mesmo Santander espanhól substituiu o patrocínio da Copa Libertadores da América. Aquela que já foi Toyota Libertadores lembra? ...dica: Aquela em que o São Paulo já ganhou mais de....bem, hoje a Copa é chamada de Santander Libertadores...

Ontem, mais uma vez, um time chamado Corinthians perde a chance de continuar o sonho de conquista da tão sofrida, primeira , taça libertadores. Repito, a sofrida e famigerada, Primeira Libertadores...

Não foi dessa vez....

Talvez o problema esteja no patrocinador do campeonato...será?

chóooora....

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Os Estados Unidos e seu modo peculiar de ensinar geografia.

Há uns dois anos li uma coleção de textos do Tariq Ali, um Paquistanês daqueles que a gente é obrigado a ler se quiser entender alguma coisa de Oriente Médio.

Lembrei do livro por um motivo bem peculiar. Estava no trem em um momento de leitura dessa coleção de textos e me deparei com um trecho do livro que me deixou em gargalhadas. Isso provocou a curiosidade dos navegantes da minhoca de metal que viram meu acesso de riso sem entender nada...muitos procuraram olhar a capa do livro a fim de poder decifrar o que me provocava as gargalhadas.
A acidez e capacidade de deboche que tem Tariq Ali ao comentar certos assuntos trágicos são capazes de provocar o riso e o ódio....o trecho é esse aqui:

“O que realmente me impressiona nos Estados Unidos é a falta de cobertura televisiva do resto do mundo. É como se a única forma de eles ensinarem geografia às pessoas fosse através do bombardeio de países. Você não sabe onde fica o Afeganistão? Fica aqui, veja, estamos jogando bombas nele. Você não sabe onde fica o Iraq? Fica aqui. Vamos bombardeá-lo, e então vocês saberão onde é. [...] Você não permite que as pessoas pensem sozinhas – você as deixa assustadas.”

Parece que o próximo país a ser estudado nas aulas de geografia nos EUA é o Irã com seu famigerado arsenal nuclear...terão sucesso os professores?