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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Delegados em busca da fama.

Já trocaram o nome do Bruno do Flamengo por "Monstro".
Uma investigação conduzida a cerca de um mês ou mais, sem provas concretas, porém, já motivo de dramatizaçoes mil pela imprensa. Só mais um motivo para grande audiência...


Cicareli já fora traçada em mares espanhóis, a menina Isabela ja caiu da janela, o Brasil perdeu a Copa... Tudo passado...O que resta? O caso do Monstro.



Como bem argumentou o Moraes em seu blog, "opalpiteiro":

"Negar humanidade a um criminoso é um jeito interessante de nos livrarmos do risco de nos colocarmos em seu lugar. Rotulamos o individuo como monstro e nos acalmamos com a certeza de que jamais faríamos o que ele fez."



Não estou fazendo defesa do jogador. Tenho até me divertido com certo trocadilhos que tem maldosamente adentrado nossas caixas de email...."O Flamengo até que é um bom
time, o que mata é o goleiro."



Ocorre é que não há provas definitivas sobre o caso.
A investigação tem sido tensa. Os depoimentos, conflitantes.
Bruno culpa macarrão, Macarrão culpa Bruno, e o espaguete não sai do fogo...



Num caso tão complicado, a imprensa e os delegados do caso ja escolheram um culpado: "o goleiro"


Os de boa memória, ou afoitos por pesquisas, verão que nao é de hoje que a imprensa brasileira retrata um caso a partir de uma opinião formada.



Em 2000, o jornalista José cleves foi acusado de ter matado sua mulher.
O caso foi que ele, José Cleves, acompanhado da esposa, fora assaltado, e na ação, teve sua mulher morta.
Uma arma plantada no local do crime levou os policiais a acreditarem que o crime tivera sido planejado pelo proprio Cleves.
O delegado responsável 'vasou' o caso para a imprensa, e o crime teve destaque no Fantástico e tudo. Numa versão com direito a simulaçao de sete minutos, mostrando
como o monstro josé havia matado sua esposa.



Caso é que o jornalista demorou oito anos para provar sua inocência. Afirmando hoje que foi vítima de uma armação policial.
O cabra trabalhava fazendo denúncias sobre comércio ilegal de armas, máfias dos caça-níqueis e de policiais corruptos em MG ....precisa dizer mais?

O Fantástico não deu os mesmos sete minutos de resposta ao injustiçado. O caso "esfriou", e a resposta de José nao traria a mesma audiência que teve sua acusação.



Jason Tércio diz em seu livro - A espada e a balança - que "o assassino mata sua vítima, e o tédio da populaçao."
É uma pena que a mídia insista em fazer parte desse jogo. Ao invés de informar, diverte. Entretenimento no lugar de investigaçao jornalistica crítica. Esse é o peixe da Globo, da Folha, e dos menores que as imitam.



O caso "a Escola Base" é outro que ilustra muito bem o espírito de porco da mídia.
Um suposto caso de estupro, onde 6 pessoas, entre pais de alunos, 2 funcionarios e 2 donos de uma escola foram julgados por abuso de algumas crianças.
O delegado do caso, na ânsia de fama, 'vasa' o caso para a imprensa.
Resultado: os acusados tiveram suas casas depredadas e os donos da escola tiveram a mesma saqueada pela populaçao indignada... Intrigante relação entre indignação e saque, mas isso é outra história....

Final do caso? ... Arquivamento por falta de provas... Nada provado, e num caso ocorrido em 1994, até hoje tramitam processos por danos morais dos injustiçadamente
acusados. Os donos da escola receberam indenização de 100 salários mínimos, mas o advogado continua no caso que tramita processos contra a Globo, o SBT, a Folha, a
Veja. Órgãos que espalharam manchetes como: "Escola de horrores" (Veja)


O que a grande mídia aprendeu com o caso?
Nada além de: "Crime é = a audiência. Dane-se as provas, o que importa é o 'fato'"



E agora, para brindar mais um caso complicado. A notícia do afastamento das delegadas "responsáveis" do caso Bruno, o monstro.

As bonitonas vazaram um vídeo - que não prova nada - no qual o goleiro joga a culpa no amigo Macarrão.
A Globo divulgou o vídeo, é claro.

E pelo menos dessa vez, uma açao rápida: Afastamento das bonitas do caso.
Deveriam ser afastadas do cargo, mas o Brasil chega lá.



Agora a polêmica:

Receberam um bom dinheiro da Globo pelo vídeo ou não?



Mas essa fofoca a Globo não vai polemizar.


Para quem quiser ver o vídeo:

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/07/stj-nega-pedido-de-habeas-corpus-bruno-mulher-dele-e-macarrao.html

sábado, 26 de junho de 2010

A Academia e os pitacos políticos.

Para quem não sabe, eu faço Geografia. Um dos meus maiores orgulhos nessa fase da vida.
Entrei no curso gostando muito da área de política e economia, e hoje, seguindo para o 4° semestre, assumo ainda mais minha paixão por economia e política, e descubro cada vez mais um maravilhoso universo dentro da chamada "geografia física" Aquela que tem a capacidade de explicar porquê o aquecimento global pode ser uma mentira, ou algo bom à natareza, uma vez que a "vida gosta de calor". Aquela geografia que reconhece que se as calotas polares derreterem totalmente, a Rússia terá o maior mar navegável do mundo. Será ruim para a Rússia o quecimento global???

Pena que na escola, meus professores ensinavam apenas que geografia física era decorar a diferença de chuvas entre São Paulo e Amazonas.

Sempre me perguntei o motivo dessas comparações, e hoje me questiono ainda mais. Ora, no Brasil tem mais gente que conhece a Disney do que a Amazônia, logo seria melhor comparar os índices de chuva entre São Paulo - a cidade dos que pensam ser novayorquinos - com os índices de chuva de Orlando, cidade que abriga a Disney, a única empresa que consegue fazer sucesso com um desenho que se desenrola todo na África, mas com o único personagem negro sendo um macaco.


Toda essa divagação fugiu um tanto da minha proposta, mas volto a ela agora.
Comecei meu texto assumindo o gosto pela economia pois agora pouco estava lendo um trabalho que fiz na matéria de Geografia Econômica, matéria em que tive que fazer prova de recuperação. Pense o que quiser sobre isso, mas a vida é assim, gostar de algo não é ter sucesso nele.

O pior de tudo é que, depois de quase um ano, leio meu trabalho e gosto muito dele, não sei porque a professora foi tão reativa com minha idéias. Mas tudo bem, sou vaidoso, gostei do que escrevi e por isso coloco um pedacinho do texto aqui. Nele falo um pouco sobre a Argentina, o modo de exploração das empresas e dou uma cutucada na mídia, essa mídia que está tentando transformar o Dunga num monstro, ou melhor, um anão num gigante, sendo que o gigante é a Fifa, a empresa que fez uma Copa no país que inventou a cerveja, a Alemanha, mas obrigou o anfitrião do maior campeonato de futebol a vender cerveja americana. Um soco no estômago da alemãozada.

Bem...segue logo o texto, antes que isso vire uns dez posts, rs:

O Estado no mundo subdesenvolvido não só orquestra desvalorizações, mas definitivamente, abre as pernas para que empresas globais se apossem de bens naturais do país, privatizando água, energia, recursos minerais e bancos, provocando em muitos casos, choques e crises pavorosas. Caso do governo Menem na Argentina. País que ao ficar "mal da pernas", com o aparato do Estado, congelou contas bancárias dos cidadãos e deixou escapar mais de 40 bilhões nas mãos de empresas que partiram em disparada do país, provocando um caos total, que eclodiu em massas nas ruas exigindo o seu dinheiro de volta.


A abertura da economia argentina para empresas estrangeiras, associado à crescente dependência entre este país e o FMI durante a década de 90 no governo Menem foi chamado de "El modelo". Basicamente, o modelo consiste no que disse Milton Santos em “Por uma outra globalização”. Ou seja, as empresas [...] que são também agentes financeiros, mobilizados em função da sobrevivência e da expansão de cada firma em particular [associado] a lógica dos governos financeiros globais são os carros chefes da lógica do dinheiro. Como forma de conter os protestos, os detentores do papel de emitir informação crítica, fazem o papel de confundir a todos.

e...nas palavras de Milton Santos.


"O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde. Isso tanto é mais grave porque, nas condições atuais da vida econômica e social, a informação constitui um dado essencial e imprescindível. Mas na medida em que o chega às pessoas, como também às empresa e instituições hegemonizadas, é, já, o resultado de uma manipulação, tal informação se apresenta como ideologia."

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Denúncia!

Texto do blog do Nassif sobre o jogo da mídia, excelente.

A mídia e a tática da demonização.

por Luís Nassif

As pesquisas qualitativas dos institutos de pesquisa Datafolha e Ibope são bastante reveladoras de métodos tradicionais da velha mídia.
Até algum tempo atrás, uma das táticas mais bem sucedidas do jogo jornalístico consistia na demonização de personagens. Criavam personagens à altura dos filmes de terror classe B de Hollywood, passando para o leitor a sensação do perigo iminente, do vilão de sete vidas cujo único antídoto era o trabalho corajoso e pertinaz da mídia.
Depois da democratização, viveram esse personagem sucessivamente Orestes Quércia, Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor, Sérgio Motta. Em caráter regional, Joaquim Roriz. Mais recentemente, Renan Calheiro e José Dirceu.
É só conferir o depoimento do leitor que foi pesquisado pelo IBOPE – com a pergunta sobre o que achava de José Dirceu – e a matéria de hoje da Folha, uma forçada de barra para colocar o nome de Dirceu na campanha.
um jogo tão óbvio que no ataque perpetrado pela Folha contra mim, a editora de Política Vera Magalhães colocou na matéria que, no tal episódio da Eletronet, eu tinha feito a defesa do Dirceu. Quem leu sabe que não houve nada disso, mas incluindo o nome do "maldito", julgava poder prescindir da necessidade de levantar argumentos consistentes sobre a cobertura que dei ao caso - e que comprometia a Folha.
Embora a própria opinião pública considerasse vilão maior, ACM jamais entrou nessa lista. Sempre foi poupado mercê dos grandes favores prestados a grupos de comunicação, quando foi Ministro de Sarney; e também graças às ligações com grupos de influência entre jornalistas – pessoas que, mesmo sem ocupar cargos de direção, lograram montar um séquito de aliados nas diversas redações.
Na ponta do lápis, não há grandes diferenças entre os métodos de alguns capitães de mídia e alguns coronéis políticos.
No início da série sobre a Veja, mostrei a estratégia da manipulação de escândalos, comparando a uma gôndola de supermercado, na qual o jornal retira o pacote de escândalo conveniente a cada momento, se não tem fabrica, com o intuito de transformar em arma dos seus próprios interesses pessoais. O denuncismo da mídia não obedece a uma lógica de depurar a política e controlar os poderes, mas como ferramenta de seus próprios interesses.
Logo depois, esse jogo se escancarou de maneira inédita com os desdobramentos do caso Satiagraha, no qual a velha mídia fuzilou reputações de juízes, desembargadores, jornalistas, delegados de polícia de forma inédita. E tudo isso em defesa de Daniel Dantas.
Com as características da política brasileira, a indignação seletiva pe desmascarada instantaneamente. Aliançcas são inevitáveis. Lula se alia a Collor e Renan; Serra a Quércia e Maluf; FHC recebe Joaquim Roriz. Ou seja, demônios para todos os gostos e partidos. A velha mídia seleciona apenas os dos adversários, praticando o velho jogo dos tempos das cortinas fechadas. Só que a blogosfera inteira acompanha o jogo de dentro do palco. Algo ridículo.
Por isso mesmo, esse denuncismo tende a perder força a cada momento. E, insistindo nesse jogo aberto – porque escancarado hoje pelas novas mídias – a velha mídia arrisca-se a ser o próximo ator do personagem que ela escolheu: o demônio da hora.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"...obrigado Lula, essa é a 'esquerda' que queremos dentro da américa latina"

Nosso presidente conseguiu fazer uma política que atraiu olhares no mundo todo, e como temos visto, agradou grande parte dos chefes de Estado das maiores potências. Fato simbolizado com o presidente Obama, que chamou o Lula de "o cara". Todo mundo viu isso, mas ta aí o link: http://www.youtube.com/watch?v=XwseO4eJn3w

Para melhorar a situação histórica do presidente, essa semana saiu na Time um ranking com os líderes mais influentes do mundo, com Lula no topo da lista, ééé...isso mesmo, no TOPO da lista. A matéria está em inglês, no site da Time (uma revista que como bem argumentou o palpiteiro em seu blog, pode ser chamada de tudo, menos de petista). O nosso antigo presidente, aquele que sabe falar inglês como a tucanada gosta de lembrar, deveria traduzir o texto pra gente divulgar a notícia.


Venezuela, Cuba, Argentina e Uruguai criaram em 2005 um canal de TV multiestatal, a Telesur, arrumando briga com grandes grupos de comunicação, provocando a ira dos EUA, que inclusive tentaram boicotar as transmissões do canal (vale a pena ler a matéria sobre isso).
Aqui no Brasil o cenário tá um tanto diferente. A gente continua vendo a Globo, as vezes a record, a band, SBT e a TV Cultura se ela sintonizar bem na tua região e vc tiver saco pra esperar algo realmente bom naquela programação maluca...Os seis maiores grupos de TV (Globo, SBT, Band, Record, EBC e Redetv) ainda dominam 90% do total de emissoras do país, e alguns "expoentes" do jornalismo brasileiro (boris casoy, miriam leitão) insistem em dizer que estamos passando por um processo de censura midiática apoiado pelo governo federal. Faltou lembrá-los que as concessões de mídia no Brasil são dadas pelo governo federal, e como sabemos, Lula deixou as coisas como estão. 90% e pronto.
Sofremos censura midiática ou falta de acesso aos meios de comunicação?


A Telesur é UMA, das DUAS, emissoras públicas que existe na Venezuela. Os outros 46 são particulares, fora os outros tantos de sintonia por assinatura. É só ter dinheiro e se divertir assistindo à programas feitos em sua maior parte nos EUA e Europa.

A abertura desse canal (Telesur) em 2005 não recebeu tanto destaque como as notícias da Cicarelli e suas peripécias marítimas com o parceiro na Espanha, ou em caso mais recente, o episódio da pobre Isabela, a que foi jogada da janela e gerou uma comoção nacional difícil de explicar num país que mata suas crianças de dor de barriga sem que as pessoas se dêem conta.

Barriga pode, janela é pecado.


Destaque mesmo pela mídia brasileira recebeu a RCTV, uma emissora com clara posição anti chavista que foi fechada mais de uma vez por motivos vários e que devemos sim procurar entender os porquês e poréns.
A Globo usou até a jogada de mostrar os trabalhadores da RCTV chorando por perder o emprego e tudo.
Foi tão noticiado isso que a confusão gerada fez com que hoje as pessoas lembrem menos da RCTV do que o fato de Chavez ser um "ditador".


Fato é que, querendo enchergar ou não, estamos passando por um processo de 'tentativa' de integração entre vários governos na América Latina. A Telesur é só mais um braço disso. Ainda tem a Unasur (União de Nações Sul-Americanas ), a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da América), e o Sucre, que é uma tentativa para a criação de uma moeda local que faça frente ao dólar nas transações entre os países que compõe a ALBA (Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Equador, e os pequenos, Antigua e Barbuda, São Vicente e Granadinas).


O governo federal está vendo tudo isso, de longe, utilizando da arte do joão-sem-braço. Pouco opina, não entra no meio, mas também não fala mal. O recado do Brasil é claro: "quer se integrar, se integre. Eu é que não vou arrumar briga com os yankes".

A mídia faz a parte dela, omite.

Os EUA mandam outro recado: "nem vem com essa de integração, vocês tão fazendo é ditadura"...

...e sobra um recado direto de Washington para o brasil:
"obrigado Lula, o Brasil é a 'esquerda' que queremos dentro da américa latina. 90% e pronto.